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O fumo do meu cigarro

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Nada como o silêncio

Março 28, 2018

Bruno

Poderia haver muito a dizer-se, mas nada bate o silêncio: o silêncio da morte, que nos entra nas vidas de rompante, como um avô que vai fazer uma queimada e fica lá, como o desejo da família, de que os netos carreguem o caixão no cemitério, como uma ida apressada e um regresso, igualmente, apressado, para iniciar um novo trabalho, que se revela uma frustração total, horas demasiado livres para dar azo aos pensamentos.

Nada como o silêncio; o silêncio da morte, o silêncio das terras queimadas, que se vêem das janelas do comboio que nos leva ao Norte, para um funeral estranho. Estranho, porque reencontram-se membros de família com os quais não se fala aos anos, porque as coisas correm diferentes do que imaginei que pudessem correr. 

Nada como o silêncio: apesar do afastamento, dos anos sem se falar, sem se ver, o regressar de boas e doces recordações, dos tempos em que nunca se imaginaria o quão dura a vida poderia ser.

Nada como o silêncio, o silêncio das horas mortas, o silêncio dos anseios mortos, o anseio de todos os mortos. Nada como não sentir nada, nada como não saber o que é que se sente, quando o gelo corta a face, quando a noite cai e não há mais nada, mais ninguém que o espaço do quarto, o vazio da solidão e o fumo que enche o ar.

Nada. Nada como o silêncio. 

 

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