Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

Desfragmentação

Novembro 25, 2017

Bruno

Música no Sound Cloud - Do Panjereh - Armin & Delsa

 

Começo por partilhar essa música, que descobri ao acaso no Sound Cloud e, se gostarem de música e cantos árabes, aconselho vivamente. Devo dizer que fazia já algum tempo, desde que tinha descoberto algo que me tocasse tão fundo na alma. Há muito tempo que uma música não me prendia tanto a atenção, desde que uma música, uma voz e um canto me fizessem viajar por terras tão longínquas. Sei que estes meus devaneios podem não interessar, mas como já disse, nada do que escrevo ou do que faço, tem terceiros como uma finalidade.

 

Ando há um tempo para escrever aqui qualquer coisa. Ou nas Crónicas da Vítima ou mesmo no "diário" do Angel Alucard. Ando há um tempo para escrever, mas, enquanto o meu corpo está aqui, a minha cabeça anda a mil, com tudo o que tem acontecido na minha vida, a minha alma anda distante, como se não pertencesse aqui e agora.

Interessa que esteja e viva. Interessa que sinta. Não interessam as consequências disso na minha cabeça atormentada e na minha alma inquieta. Interessa, à força toda, que eu seja como os demais, sem que interesse como é que isso me afecte.

Ando há uns tempos para escrever um texto. E tenho adiado essa árdua tarefa, porque não tenho tido disposição para isso: aguardo um dia, algo que tem de ser feito. Depois, a espera. Entretanto, o meu desgosto face às pessoas, em geral, tem-se agravado, ao ponto de pensar, uma vez mais, com toda a seriedade, em sair da cidade onde mora e rumar mais de trezentos quilómetros em direcção ao Norte, para morar no rio da minha aldeia (recuperar uma casa de pedra que lá temos, cujas paredes são as únicas sobreviventes), o mais longe possível da interacção humana. O prazer que sentia, fosse pelo que fosse, desvaneceu-se completamente. Sinceramente, acredito que possa estar a atravessar uma fase depressiva, somada à minha imensa ansiedade, que, também ela, tem crescido exponencialmente. 

Ando há bastante tempo para tirar um tempinho e escrever. Escrever tudo. Escrever todas as lágrimas que deixei por chorar, todas as coisas más que passei e ultrapassei, sempre sozinho. Escrever a sensação de solidão, há uns anos, quando o meu mundo desabou, sem que ninguém me amparasse a queda, levando com culpas atiradas por uma das pessoas de quem mais apoio esperava.

Ando há uns tempos para escrever tudo aquilo que, mesmo agora, não escrevo.

Actualmente, existem várias redes sociais. Uso várias, depois de uns tempos sem Facebook - digo que não senti falta do dito e, no mesmo dia em que reactivei a minha conta, tive uma vontade enorme de eliminá-lo outra vez. Admito que gosto do Twitter e dos blogs do Tumblr um bocadinho demais. Tanto que, neste momento, juntei as duas contas que tinha no Twitter, numa terceira conta, que ainda não entendi muito bem que serve. Ou para que servirá. Se servirá. 

Começo a achar que, se não estou louco, estou a desintegrar-me ou a desfragmentar qualquer coisa de mim, em várias coisas, que não sei se serão boas ou más. 

Voltei a desenhar. Não tenho feito nos últimos dias, mas tenho tentado destruir os maus pensamentos e os maus presságios nisso. Os maus desejos, descem no papel. Como se a minha vida dependesse disso - e realmente depende!

Tenho pensado em estudar outra vez. Preciso de um trabalho, que adio à espera do dia e das coisas que tenho a fazer e da notícia que tenho receio de receber. Preciso de horários que me permitam estudar à noite. Preciso de estudar também por mim, em casa, sem bem saber como é que hei-de procurar os meus tópicos de estudo.

Tudo isto incomoda-me. São mil e uma coisas, mil e um motivos para me chatear e preocupar-me. Mil e uma razões para subir a ansiedade. Como já tenho dito, em raras conversas, ainda não aconteceu nada, mas se vir algo que me desagrade ou faça temer, já fiz o filme todo na cabeça. 

Este texto, serve, também, para marcar uma nova fase, em que partilho este blog e os textos que escreverei de futuro no Facebook. Coisa que eu não fazia. Não com este blog. 

Este texto, devia servir para libertar-me. Devia servir-me para espezinhar todos os demónios ou para dançar com eles, de roda da fogueira. Devia servir para, negras como a minha roupa, expulsar verdades e devaneios, deixar fluir a minha natureza sentimental, sufocada por imensas camadas de incerteza, desgosto, angústia, ansiedade, raiva, possessão, quimeras... acaba por servir de muito pouco.

Ando há um tempo para escrever um texto, que acaba por revelar-se tão inútil, quanto me sinto na grande maioria dos dias.

Acaba por não servir para a tal desfragmentação. 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D