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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

Sobre anseios, desejos, respeito...

Dezembro 28, 2016

Bruno

Não é difícil adivinhar a série que escolhi rever durante estes dias e com a qual tenho preenchido as minhas noites, nestes últimos tempos. Ver tudo, apanhar as coisas que perdi, face ao difícil acompanhamento através da televisão. Quando a terminar, tenho umas quantas séries em mente... mas não era isto que me trazia aqui, ainda que tivesse que deixar este comentário, devido à música que acabo de ouvir e pela qual acabo de apaixonar-me.

 

Tenho sido surpreendido com muita coisa ultimamente. A beleza de algumas almas, as suas ligações, raízes criadas.

Há pessoas que se atravessam no nosso caminho, que nos trazem vislumbres do quanto estamos sozinhos, sem que o estejamos mesmo. Não o lamento, não me faz pena, nâo me faz confusão estar só. Até gosto bastante, porque, apesar de podermos ter certas ligações interpessoais, o sentimento que certa música, que certa arte nos causa, é sempre algo íntimo, algo tão nosso que, mesmo não estando sozinhos, acabamos por estar. Confuso? Nem tanto assim e tenho a certeza de que, algumas pessoas, concordariam comigo.

 

Estive em situações nos últimos dias, que poderiam ser graves. Para mim. Para o outro lado, não interessa quem sejam ou que instituição representem - tenho, felizmente, o respeito de muita e boa gente, pelo respeito a que me dou e isso é o bastante para que pudesse comprar uma guerra. Mas as guerras não me interessam.

Aprendi que, apesar de tudo, a melhor arma é mesmo afundar o meu olhar no olhar enraivecido de outro. Ficará irritado, ao ponto de procurar recorrer a outra táctica. Aprendi que é melhor, face a provocações, deixá-las correr, até que se esgotem e dar a luz da razão. Manter-me certo, correcto. "Quem não deve, não teme" diz o velho ditado e assim é.

Aprendi que posso continuar a respeitar toda uma instituição, mesmo que não tenha respeito por um indivíduo. E, mesmo assim, sair melhor e victorioso.

 

A vida ensinou-me que, na maior parte das vezes, nem precisa mexer-se um dedo. O seu a seu dono. Uns, chamam-lhe de "Justiça Divina"; outros, chamam-lhe "Karma".

 

Tenho encontrado almas no meu caminho, ao género do que sempre ambicionei encontrar. Ao deslumbramento da admiração, prendou-me o Destino com respeito. E posso pensar que, apesar de achar a minha vida uma merda tremenda, tenho o que de melhor podia pedir.

...

Dezembro 21, 2016

Bruno

Todos choramos alguma coisa. Ou, pelo menos, lamentamos algo. Alguém. 

Estou em casa, embrulhado num edredão, com mãos que não aquecem há horas. O meu pensamento está, algures, lá fora. A minha alma está, algures, numa calle. E eu sinto-me um callejero. A minha alma está, algures, num outro lugar. 

Há umas horas, pensava em qualquer coisa que escrevesse. 

Fumo um cigarro, enquanto lamento qualquer coisa que não tenha escrito. 

Os meus fantasmas são os mesmos fantasmas de tantos outros: os meus têm os seus rostos, as suas vozes, os seus traços distintos, como o de qualquer outro. 

Penso que, muitas das vezes, não é preciso consumir-se em mágoa, para escrever-se sobre ela. Penso que, muitas vezes, não é preciso estar-se incomodado, enfadado, para se mostrar desagrado. É pôr a caneta no papel, os dedos nas teclas, deixar fluir o que vai na alma, no âmago do que nos é mais íntimo, como o fumo flui do cigarro, do pau de incenso que queima, neste momento, numa outra divisão da casa. 

 

Pensei que poderia escrever muita coisa. Mas, muita outra coisa, foi tomada como prioridade. 

Agora, de nada vale lamentar. Adiante, que, como a vida e o tempo, o anseio não espera por nós. Antes, tal como o tempo e a vida, consome-nos, corrói-nos, antes de cuspir-nos e abandonar-nos, usados, gastos, violados. 

 

O meu olhar. 

O meu olhar vai pousando sobre belos e interessantes rostos. 

A minha percepção capta certos comportamentos. Certas atenções. E eu sorrio. 

Há muito que deixei de importar-me, de incomodar-me.

 

Eles queriam que eu desse asas a um sentimento, sem saberem que, após ser feito brinquedo, eu é que manejo esse sentimento a meu bel-prazer. Eles falam de amor, de querer e ser querido, "porque ninguém é feliz sozinho". Pobres coitados, mal sabem quanto amor vomitei em versos, para que morresse. E o amor não morreu - eu ainda te amo, ainda te quero, ainda receio que me mates numa dessas ruelas escuras.

O coração joga jogos perigosos - aprendi a afastar-me antes que o coração jogasse comigo outra vez. 

Não se sintam mal, hipotéticos leitores, não lamentem a minha sorte. Porque é uma sorte gostar da minha própria companhia, acima de qualquer outra. É, realmente uma grande sorte, atravessar vales de medo, vales de morte, morrer por ansiar uma companhia e ver que, a melhor companhia, está do outro lado do espelho. 

Eles queriam que eu desse asas a um sentimento para com outros, mas esqueceram-se de que, eu, estou entre mim próprio e os demais. 

Eles queriam que eu amasse outros, esquecendo-se de que, ferida, uma fera torna-se bem mais perigosa. 

 

Eu queria escrever de tanta coisa, mas pouco do que aqui está reflecte realmente o que eu procurava dizer. 

Escrevo, porque necesito. Escrevo, porque gosto, porque exorcizo demónios, porque ajuda-me a lidar com esta realidade. 

 

Caminharei as ruas da cidade.

O frio não me atingirá. 

Olharei os fantasmas de frente - alguém há-de morrer, em todo este processo, mas não será a minha essência. 

Enfrentarei o mundo, por aqueles de quem gosto, por aqueles que aprecio (lê-me, saberás que isto é para ti, que esta é, também, a minha estranha forma de demonstrar o meu apoio). Enfrentarei demónios. 

Enfrentarei bestas. 

Enfrentei Deus (ou os Deuses) e o Demónio (ou os Demónios). 

Dançarei, em noite de Lua Cheia, com as assombrações. 

Beberei a minha Tequila. 

Divagarei. 

Perder-me-ei. 

Serei teu. Do outro. De mais cem, além dos cem de quem nem memória tenho, sem ser de nenhum deles. 

Oferecerei luxúria. Inocência e pureza. 

Oferecerei o suor do meu corpo e as lágrimas dos meus olhos. 

Atenuarei a erecção de outros cem, sem me recordar dos cem (ou duzentos? ) anteriores. 

O luar entrará pela janela, beijará as minhas flores, para que beijem o sol. 

A solidão é uma visita temporária. Matamos saudades dos velhos tempos, até que sai e deixa ficar, intacto, o meu orgulho, a minha vida. 

E, entretanto, nasce um novo dia. Já nada há a lamentar. Já nada há a chorar. 

Não farei resoluções

Dezembro 15, 2016

Bruno

Tenho-as quebrado sempre. É sempre "ano novo, vida nova", mas o certo é que não o tenho cumprido. 

"Alguma vez teremos que fazê-lo", diz a minha velha tia, quando constacto esse facto. 

Pois é, mas não o temos feito. Que me garante que o faremos diferente? Seja como for, só espero que 2017, que se aproxima rapidamente, venha melhor, mais calminho, mais amigo, do que foi este 2016.

 

Ao entrar nos blogs do sapo, vejo a sugestão de usar a tag "2017". Segui-a, porque apesar de usar este espaço como um rascunho de qualquer coisa, não me importo que outros me descubram por aqui. 

Este pequeno e humilde espaço... Bem como qualquer blog meu, serve-me de escape. Um dos autores que mais aprecio, o Fleuma, refere-se ao seu próprio blog como um espaço de terapia pessoal. Assim é comigo, quando escrevo aqui... Ou ali... Ou noutro lado qualquer. Escrevo para mim, escrevo por mim, ainda que possa haver quem goste do que lê, quem se identifique, quem procure conforto nas minhas palavras, ao ver-mr mais enlouquecido que eles próprios. 

 

Deixo, então, 2017, tal como muitos outros anos, sem qualquer resolução. Para fazer alguma coisa, tenho 365 dias no ano e não é o fim de apenas outro que ditará o que quer que seja. 

Espero, como já escrevi, que 2017 venha mais calmo, mais suave.

Agora, acho que é hora de dormir. 

Não entendo

Dezembro 13, 2016

Bruno

Não interessa. 

Resolvo não te mandar mensagem. Mandas tu. Queres encontrar-te. Correr o risco, num parque escuro, onde se joga Sueca durante a tarde. Sabes que alinho, sou louco para isso. 

 

Jogos tardios de Sueca, no café, entre um pequeno grupo de amigos ou conhecidos. 

Olhas-me, com uma estranha malícia. Há já um tempo que tenho reparado nisso; tens um ar de bad boy e um bonito serviço. Em caso de alguma procura, serias doido de arriscar uma rua? 

 

Não entendo. 

Talvez seja da Lua Cheia. As gentes andam loucas - eu não sou nenhuma excepção. 

 

Não há nada. Nada que me impeça. 

Um. O outro. Talvez, o amigo de outro. 

Não há nada, não há ninguém que me prenda. E, dentro destas andanças, dentro destes caminhos, tornei-me Rei. 

Um ou outro. O que confessa, em segredo, os desejos. Alguém que passe na rua. 

Não há ninguém que seja um porto de abrigo, não há ninguém que me impeça se ser quem sou. Não há ninguém por quem suprimisse a minha essência, a minha natureza. 

 

Um dia de cada vez. 

E eu sou. Sem medo, sou. 

Vasculhei os recantos mais profundos disso mesmo, dessa minha essência, da minha alma perdida. 

Sem medos, sem receios, sem pudores... Atravessei esses vales imaginários. Em sonhos, atravessei o espaço. Dancei em planetas longínquos, amei nos mais belos desertos. 

Estou aqui. Estou ali. Estou um pouco por todo o lado. 

 

Não entendo. 

Não quero entender. 

Para não perder-me

Dezembro 12, 2016

Bruno

Pensei em iniciar aquele outro blog. Um blog onde exporia a minha mais crua vertente, a vertente mais despida, mais nua, mais pura. 

Pensei em iniciar aquele blog, onde escreveria sobre a sexualidade, sobre fantasias, com todo e qualquer detalhe. Não tenho, porém, um pseudónimo de "confiança", de agrado. 

Pensei que pudesse iniciá-lo, falando dos dois ciganos na bomba, à procura de bares de alterne e da sua assunção, após a minha inocência ao mencionar, que procuravam prostitutas. Mencionaria o olhar de um deles, que acordou algo selvagem em mim. Escreveria sobre receber dinheiro por satisfazer homens, sem vergonhas, sem pudores, porque era eu, porque era, no fim de contas, outro. 

 

Não sei o que me prende à necessidade de um alter-ego, que fale por mim, que assuma esse nome, tal como as gentes na minha cabeça, assumiram as suas existências. 

Não sei que medo tenho, se já antes, mencionei um site do qual faço parte, mais orientado para o fetiche, sado-masoquismo e para fantasias sexuais em geral (na secção sobre mim, tenho os resultados de um questionário, que me apontam, maioritariamente, como um voyeur e exibicionista, com fortes tendências de predador). 

Não entendo que receio é este - impede-me! 

 

Encontrei-me com uma amiga muito querida e conheci o seu amigo australiano. Engraçado, simpático, jeito alternativo. Deu para desenferrujar o meu Inglês, que se emaranha na língua, devido à rapidez com que falo. 

Conversa com conversa, brincadeira com mais brincadeira, ela diz-lhe que escrevo e que sou talentoso. 

Há muito que, apesar de não me envergonhar da minha... "arte", não me sentia tão nu, tão exposto perante um estranho. Foi uma boa e estranha sensação. 

 

Não entendo que é que me prende, que é que me afasta de tudo quanto mais desejo, de tudo quanto mais ambicionei. 

Não tenho desejos, não tenho sonhos, não tenho ambições. Interessa-me, neste momento, manter-me à tona. Interessa-me viver mais um dia. 

Não me interessa o amor ou qualquer sentimento; quero, antes, as belezas desse mundo, dessa vida, como dois ciganos num carro, com dinheiro para gastar, para aliviarem a tesão e a tensão sexual acumulada. Quero, antes, a polícia em toda a sua pujança, tentando demonstrar uma imensa superioridade, aqueles corpos viris, movendo-se na mesma sombra que eu. 

 

Pensei. E vou pensando em muita coisa. E, enquanto penso, enquanto sinto, vou escrevendo. 

Haja vontade, haja disposição, para que não me perca de vez. 

Como descrever um livro?

Dezembro 11, 2016

Bruno

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Trabalho num café. E tem lá ido um rapaz que já conheço há uns anos.

Entrava, pedia o seu café, ouve a sua música, lê o seu livro ou joga no telemóvel. Entra, já sei o que quer, sirvo-o e reparo que usa uma etiqueta de roupa para marcar a sua leitura. Prometo-lhe um marcador para a sua leitura, do qual me esqueço. Hoje, quando ele chega (o café estava um caos, diga-se de passagem, e já nem eu sabia bem se estava num café ou num cenário de guerra), digo-lhe que se sente, pois levo-lhe o pedido. Quando o sirvo, tenho dois marcadores de livros. Um cartão com essa imagem, digo-lhe, em breves palavras, que não estou a receber comissões pela publicidade, mas que aproveitei para dar a conhecer o livro e autora. 

 

"Que me dirias deste livro? " surpreende-me com esta pergunta. 

Balbucio qualquer coisa como: "sem spoilers, digo-te: escuridão. Tudo aquilo que mexe com o âmago das pessoas. Se gostares, se achares que gostas, podes sempre ler. Tens duas histórias gratuitas à disposição. "

 

Isto tudo, com partes que não foram ditas bem deste jeito, apenas para dizer. E se me pedissem agora para analisar este livro? Aquilo que eu pudesse dizer dele, sem dar detalhes ou estragar a leitura? 

Volto a dizer: escuridão. Desde o início do livro, desde a suavidade do primeiro conto (13, ao todo) até à última frase do último conto, encontrarão escuridão. Dentro dessa escuridão, encontrarão a vossa mente, a vossa alma perdida em devaneios e em auto-análise, a questionarem a vossa própria vida, a vossa própria existência, as vossas escolhas. É assim tão boa, a escrita de Lizbeth Gabriel. É assim, com uma imensa maestria, que Lizbeth Gabriel penetra nas entranhas da nossa existência. 

 

Atrever-se-iam? 

 

Lizbeth Gabriel (o blog e toda a informação necessária )

Mãe

Dezembro 11, 2016

Bruno

Há coisas que são tão universais, que não vale a pena escondê-las. Aliás, não devem esconder-se. 

Há sentimentos tão universais, que devem escrever-se. Devem falar-se. Devem cantar-se. 

Mãe. 

Tu não gostas deste meu estilo de vida

Tu não gostas que passe noites na rua,

Não gostas que eu saia de madrugada. 

Não sabes. Não entendes. Não podes entender este fascínio, este amor à noite escura, às ruas sombrias, ao frio da noite de Inverno. Não sabes que as arcadas de um prédio ensinam sobre nós, sobre a vida, sobre tudo o que possa imaginar-se. 

Mãe. 

Eu não sabia que gente mais nova podia ensinar-me tanto, 

Não sabia que podia gostar-se tanto de um grupo de pessoas, 

Não sabia, mãe, que viria a querer proteger alguém, com tanta força, que existisse tanto carinho que existisse por um grupo de pessoas. 

Boa gente. 

Boa fé. 

Sabia. Não conseguia recordar-me. 

Mãe. 

Mãe. 

Perdoa-me por não corresponder aos ideais que tens de um filho perfeito, 

Perdoa-me por não ver, do mesmo jeito que tu, o que é uma boa vida. 

Mas, 

Mãe, 

Permite que abra as minhas asas, 

Permite-me voar, 

Permite que eu seja quem sou, não queiras que eu queira ser outra coisa, 

Outra coisa qualquer, disforme, sem sentido, 

Um rascunho de gente. 

Mãe. 

Acendo um cigarro.

Aqueles que amaldiçoas todos os dias, 

Acendo um cigarro. 

Permito-me voar através das minhas palavras. 

Permito-me, através do meu estranho jeito de viver, a conhecer um estranho mundo, que é triste, decadente, mas que tem um encanto brutal. 

A brutalidade de viver equivale à brutalidade de sentir e nem isso impede que as vidas sejam recheadas de coisas boas. 

Assim, mãe, como o que é bom para ti, não é bom para mim, 

Vice-versa. 

Mãe. 

Não julgues que não te amo. 

Não julgues que não te escuto

Ou que não me permito conhecer a tua preocupação. 

Mãe. 

Vou sair por aí. 

Vou voar. 

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