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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

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Sinto-me a perder as minhas raízes no mundo

Abril 09, 2018

Bruno

 Há cerca de duas semanas, tive que ir à terra de urgência. O meu avô tinha morrido, de uma maneira estúpida. Não há muito mais a dizer, sobre este assunto. 

Acontece que o trabalho que iniciei, entretanto, é propício a que pense e recorde as coisas em demasia. É propício estando sem fazer nada o dia inteiro, a que tenha vislumbres que me assutam: com tantas mortes e com as partes de família mais próxima a morrer, mesmo que os nossos relacionamentos sejam distantes, naco sigo deixar de pensar que estou, aos poucos, a perder as minhas raízes neste mundo. Perco, aos poucos, as minhas origens, ficando, apenas, com a incerteza do futuro.

Ontem, escrevi algo relacionado com isto, no Facebook, e admito que este pensamento é aterrador. Não tenho medo de ficar só, mas tenho medo de ficar sem raízes. Não tenho medo de morrer sozinho, mas tenho um pavor imenso de ficar no mundo sem laços com aquilo e com aqueles de onde e de quem vim. Faz algum sentido?

Penso, então, que, ao fim e ao cabo, as famílias formaram-se de um conjunto de estranhos, que se foram conhecendo, gostando uns dos outros, tendo e cria do filhos, netos, irmãos, sobrinhos, primos... Todos eles perderam as suas raízes neste mundo, em dada altura da vida, mas deram um seguimento a isso mesmo, tornando-se nas raízes de alguém.

Será diferente, no meu caso. Filhos, não os terei. Sobrinhos, também não. Tenho os meus primos, todos mais novos, mas... Bem, cada um de nós tem a sua vida, os seus amigos, os seus amores ou paixões. Quando morrer, não deixarei ninguém a chorar por mim, não serei a raíz de ninguém.

Não sei. Acho que tudo isto tem afectado a minha cabeça, de maneira mais forte, até, do que imaginei que me afectasse. 

Nada como o silêncio. Nada como o tempo. 

Nada como o silêncio

Março 28, 2018

Bruno

Poderia haver muito a dizer-se, mas nada bate o silêncio: o silêncio da morte, que nos entra nas vidas de rompante, como um avô que vai fazer uma queimada e fica lá, como o desejo da família, de que os netos carreguem o caixão no cemitério, como uma ida apressada e um regresso, igualmente, apressado, para iniciar um novo trabalho, que se revela uma frustração total, horas demasiado livres para dar azo aos pensamentos.

Nada como o silêncio; o silêncio da morte, o silêncio das terras queimadas, que se vêem das janelas do comboio que nos leva ao Norte, para um funeral estranho. Estranho, porque reencontram-se membros de família com os quais não se fala aos anos, porque as coisas correm diferentes do que imaginei que pudessem correr. 

Nada como o silêncio: apesar do afastamento, dos anos sem se falar, sem se ver, o regressar de boas e doces recordações, dos tempos em que nunca se imaginaria o quão dura a vida poderia ser.

Nada como o silêncio, o silêncio das horas mortas, o silêncio dos anseios mortos, o anseio de todos os mortos. Nada como não sentir nada, nada como não saber o que é que se sente, quando o gelo corta a face, quando a noite cai e não há mais nada, mais ninguém que o espaço do quarto, o vazio da solidão e o fumo que enche o ar.

Nada. Nada como o silêncio. 

 

Ha silêncio (quem sabe se quebre?)

Março 15, 2018

Bruno

Há silêncio. Muito silêncio, por estes dias de chuva.

Cansei-me e dei aquele ar que poucos gostariam de ver. Eis que surgem algumas respostas.

Nada como libertar um pouco de... não queria chamar-lhe rancor, mas seja, para que vejam que, ainda que pareça, não sou otário e vou atrás do que é meu. 

Há silêncio por estes lados. Não tenho tido nada a dizer.

Há silêncio e, no silêncio da noite, fui à procura de coisas antigas. Um blog que tinha em conjunto com um rapariga, com a qual perdi o contacto. Não consigo lembrar-me do site em que esse blog se encontrava. Talvez seja melhor assim. Talvez seja melhor.

...

Março 04, 2018

Bruno

Os dias passam. Uns, iguais aos outros, passam implacavelmente.

Não sei bem como é que cheguei aqui. Não sei.

Os dias continuarão a passar. Chega de conversa fiada. Chega. 

Penso sobre os meus mortos e sobre a vida

Fevereiro 16, 2018

Bruno

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 Como é que se escreve de uma dor, talvez de um vazio, que ficou e que tem dimensões esmagadoras? Como é que se deixa partir alguém, que, dentro de nós, nunca partiu? A morte nunca é fácil, eventualmente ultrapassamo-la, mas... porque é que está a ser mais difícil contigo?

Já se passaram nove meses e alguns dias. Escrevi sobre o sorriso que se te rasgava desde a alma, escrevi mais algumas coisas sobre e para ti, mas não passa um dia, mesmo após ter saído do café, em que não tenha um vislumbre teu pelos meus pensamentos. Não passa um dia...

Há alturas em que acho as coisas particularmente difíceis (e aqui, não é só por ti, Paulinho). Há alturas, em que uma tristeza, tão de mansinho, se apodera de nós, como um perfume que nos chega suave, suavemente, até nos arrebatar com todo o seu aroma. Há alturas em que pensar, em que recordar é demasiado doloroso. Mas nós vivemos. Nos continuamos a viver.

Já devia saber. Tem estado frio (não, não estou a queixar-me), mas o sol tem brilhado. Hoje, pelo menos, o tempo mudou. Ontem, chuviscou. E isso, essas mudanças, acabam sempre por afectar o meu humor. Muitas vezes, de maneira suave. Outras, de uma maneira brutal, como se o mais infame dos homicidas se encontrasse comigo numa sala fechada.

Já devia saber.

Acontece que, de tantos que já foram, de tantos mortos, para mim, és o mais recente e, por um qualquer motivo (talvez pelo teu sorriso, talvez pelo teu jeito único de sorrir), és aquele que mais vezes "me visita" (não, não é uma crença ou fantasia esotérica, entendam).

Acontece que, de um momento para o outro, já depois de te perdermos, vi a minha vida virada ao contrário. 

Acontece que, de um momento para o outro, o meu instinto falhou, quando não previu a falha desses "amigos", com os quais perdi tempo e desperdicei palavras. Nem daqueles de há mais tempo, que têm demonstrado o que valem, nos dias mais recentes.

Acontece que, recusando-me a falhar, falho nessa recusa.

Acontece que, bem no meu âmago, desejo o que rejeito e fantasio com o que não tenho.

Acontece que, deixando de importar-me, revelei a face por detrás da máscara a quem tinha o interesse da conhecê-la. E não me arrependo.

Acendo uma cigarrilha.

Lisa Gerrard entoa a repetida "Redenção" (Redemption) através dos fones,  depois de desligados e retirados os aparelhos auditivos, música na qual fiz o meu luto (e continuo a fazer), na qual tenho encontrado forças, enquanto o fumo enche o espaço. Um gato dorme no meio das minhas pernas e acaricio-o, nos espamos do seu sonho, pelo que ronrona.

São três e meia da manhã. Devia estar a dormir. A estudar o que me propus. A responder às cartas atrasadas. A desenhar. Estou aqui, a escrever e, mais uma vez, não me arrependo da minha escolha.

Sinceramente, há alturas em que já não sei o que sinto. Gosto, muitas vezes, de usar frases feitas, que parecem descrever-me bastante bem: "sou esta criatura estranha, de personalidade alegre e com uma alma triste". Gostava, por vezes, de ser capaz de escrever mais sobre a minha personalidade alegre, do que sobre as mágoas da minha alma. Mas não consigo. Quando a minha mana, Lu, me propos complementar o desenho com a escrita, acho que não imaginava o refúgio enorme que iria proporcionar-me. E, como um refúgio que se preze, tomei a liberdade de decorá-lo à minha maneira, de escapar-me das balas, das flechas, do bicho papão. Tomei a liberdade de tomá-lo para mim, com os tons de sombra que tingem a minha alma e o meu sentimento.

Não sei se haverá muito mais que eu possa dizer, sem que me repita. Quantos túmulos mais visitarei, quantas vezes passarei pelos velhos templos imaginários (ou recordados doutros tempos), quantos passos mais darei pelos desertos estéreis da minha alma. Sem que me repita, não sei se fumarei outros cigarros, se sentirei outros corpos contra o meu, sem pingo de amor ou sentimento, para lá da tesão. Não escreverei sobre o desprezo que devia votar a quem o merece, porque se desprezo, não darei a importância de gastar palavras, mas sobre o rancor, a mágoa oferecida em embrulhos de seda. Sem que me repita, de alguma forma, não sei se te recordarei muitas mais vezes, Paulinho, ao teu sorriso e ao dia da notícia da tua morte (ou do desaparecimento nesse mesmo mar). Sobre esse outro homem, para o qual retenho, em velhos cadernos cadernos rasgados e a precisarem de ser reescritos, qual escriba, poemas a si dedicados. Sem que me repita, não sei se terei muitos mais a dizer.

De uma coisa tenho a certeza, com todas as minhas falhas, com todos os meus erros, com todas as minhas escolhas, boas ou más, é que não deixei de ser fiel a mim e ao que assumo como o melhor, o mais seguro. Tenho a certeza, também, de que, continuando a errar, não será por não tentar. E tenho a certeza de que, enquanto precisar de abrigo, senão de uma outra forma, terei sempre a escrita, por muito má que seja. 

Factos escritos numa esplanada, numa tarde de chuva

Fevereiro 11, 2018

Bruno

Nestes últimos dias, dediquei algumas tempo a coisas que queria fazer e que, por várias razões e nenhuma aceitável, adiava constantemente.

Comecei a estudar em casa, tópicos do meu interesse (e há coisas que, não sendo do meu interesse, seriam bastantes úteis e tenho que juntar à lista de estudos), tenho visto episódios da nova série do Dragon Ball (o Super) e tenho, finalmente, deixado para trás o que consumia os meus pensamentos, as pessoas que não abonam em nada a minha vida, nem a minha paz de espírito.

Ha uns tempos, pensava que tinha que escrever uma grande história, com base em duas ou três músicas. Cheguei à conclusão de que é mais fácil dedicar o tempo a duas ou três histórias mais curtas. Começar por algum lado, que não começar por lado nenhum. 

E tem sido bom e mais fácil de lidar com as coisas. Tão melhor e tão mais fácil! 

Estudos por conta própria

Fevereiro 08, 2018

Bruno

Tenho um amigo que é músico. É guitarrista numa banda de metal, chamada The Royal Blasphemy, e é daqueles amigos que, longe de ser dos meus amigos mais próximos, nunca me desiludiu, nem me decepcionou de forma alguma. E, além de músico, pelo que leio do que escreve no seu Facebook, gosto de vê-lo como uma espécie de filósofo. 

Num destes dias, o Johnny publicou algo que me fez rir e, ao mesmo tempo, reflectir. A imagem que partilhou, dizia: "através do aparelho para que estás a olhar agora, tens acesso a quase todo o conhecimento adquirido pela raça humana. Tu usa-lo para ver vídeos de gatos e pornografia".

De há uns tempos para cá, planeio em estudar. Mesmo que seja em casa, sozinho, penso nisso com bastante frequência e por preguiça e estupidez, ainda não o tinha feito. Até há bocado. Entretanto, tenho uma lista com três tópicos de estudo e um terço de uma página A4 escrita com excertos da Wikipedia que considerei importantes no assunto em questão. Neste bocado que usei para ler e transcrever as partes do texto, que considerei importantes, já tive tempo, também, para entrar em pânico com a quantidade de sub-tópicos que tenho que ler e estudar, caso queira esforçar-me para isto e fazer isto funcionar (e acreditem que quero muito!).

Acho que é importante dar o primeiro passo. É esse, sempre o mais difícil e o mais importante. Às vezes, não é medo, mas preguiça ou uma espécie de sedentarismo mental, o que nos impede de ir atrás das coisas, sem que nos apercebamos do mal que fazemos, não aos outros, mas a nós próprios. É essa preguiça mental, da qual parecemos nunca mais nos livrar, que mina e corrói o bem que podemos fazer por nós.

Neste momento, o texto que estou a tentar desenvolver aqui, parece um bocado vazio de contexto. Pelo menos, do contexto que eu queria explorar, até porque perdi o fio do pensamento - isto é tão recorrente, que, às vezes, amaldiçoo-me, por não escrever antecipadamente o que ia escrever aqui. Devia fazê-lo.

Assim como, por outro lado, sinto que este texto, além do propósito informativo face ao meu sucesso em dar este primeiro passo, tem uma espécie de propósito de agradecimento ao Johnny, por acertar sempre nas partilhas que faz e por ser, em grande parte, o impulsionador deste movimento tão necessário. 

Talvez, daqui a pouco tempo, comece um novo blog (outro?), meramente como uma espécie de diário gráfico dos meus estudos. Talvez não. Ainda não sei e não quero estar a colocar pressões extra em cima de mim, além da que já sinto, ao começar tudo isto.

Conversas sobre o Tinder e outras coisas

Fevereiro 07, 2018

Bruno

Há umas horas atrás,  uma amiga enviou-me uma mensagem no Messenger a perguntar se eu tinha Tinder. Disse-lhe que tinha instalado essa app, mas como me aborrecia, logo a havia desinstalado. Ela disse-me que tinha instalado por estar aborrecida, enviou um screen print de alguns rapazes e fomos conversando.

Entre a conversa, falámos disto mesmo: de aplicações para conhecer pessoas, de conhecer pessoas, de encontros... e, no meio da conversa, apercebi-me de que não tinha um encontro há uns dez anos. Quer dizer, já tive um encontro ou outro, entretanto, mas algo que pudesse vir a ter um qualquer futuro ou em que se pensasse nisso, há uns dez anos que não tenho.

Há dez anos atrás, trabalhava eu numa pastelaria em Benfica, conhecia um rapaz que estava a morar no Bairro, encontrávamo-nos e passávamos alguns momentos, mas foi isso. Ficou por aí. Se não fosse esta conversa, talvez nunca tivesse parado para pensar em quantos anos se passaram desde que houve algo deste género na minha vida. Há dez anos que não tenho ninguém na minha vida, com a possibilidade de tornar-se algo a sério. Pouco depois ou talvez pouco antes, tive ou tinha tido um sentimento estupidamente desenvolvido por alguém que nunca mentiu sobre as suas intenções, pura e meramente carnais, com algumas "origens" em comum e, possivelmente, passámos e amámos os mesmos lugares.

Sinceramente, algures na minha vida, senti que isto não era para mim. E, até hoje, não tive nada propriamente sério: uns namoricos de adolescente, com um bom e puro sentimento, mas ficou-se por aí. Já escrevi, ou julgo tê-lo feito, que já passei por algumas coisas extremamente complicadas e, por elas, passei sozinho. Nestes anos todos, claro que já pensei em mais e desejei mais, mas, na maior parte do tempo, não paro para pensar nas coisas. Vivo e, do jeito que tenho vivido, tenho-me bastado. E não me causa "comichão", mágoa ou ressentimento pensar nas coisas, ou na falta delas, não causa qualquer desconforto pensar que caminho para os trinta e um anos e nunca tive uma relação séria em toda a minha vida. Custa-me muito mais, a eterna melancolia que toma conta de mim, a ansiedade que não me larga da mão...

Como disse à minha amiga, não consigo respirar sem sentir-me irritado. Irrita-me pensar nas pessoas, quanto mais em aturar filhos alheios (e se não entendem o que quero dizer com isto, também não faz nenhum). A minha amiga disse que temos de combinar um café, se não me importar de ter um encontro com ela. E seguiu-se uma troca de gifs.

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