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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

12
Fev17

Velhos sentimentos

Bruno

Sinto-me de volta aos velhos tempos. Aqueles velhos tempos em que era um adolescente deprimido, que se mutilava (a vontade tem gritado dentro da minha cabeça). Sinto-me de volta àquele tempo, em que nada mais era, além de uma alma perdida. Uma alma que questionava toda a sua existência, através de traços num papel, que tomavam várias formas, em maioria de traços humanos.

Sinto-me... distante. Perdido. Perdido nas vontades, nos desejos, nos pensamentos. Não sei se é do meu amigo, das perguntas que fez e das coisas que disse, tocando em feridas, nas quais ninguém tocava há anos. Não sei se é da ganza, que escolheu fumar comigo, dizendo: "já nos conhecemos há bastante tempo, mas nunca fumámos nenhuma juntos", do efeito dessa dita amiga. Não sei se foi das fortes batidas na porta do café e consequentes pancadas nos estores fechados, que repercutiram nos vidros. Sinto-me distante, bem longe, com uma profunda tristeza.

Sinto-me atordoado com todas as perguntas e com o que ele disse. E sinto-me triste; contudo, esta tristeza não é algo de mau. Não. Esta tristeza é daquelas tristezas que apenas um abrir de consciência permite sentir, em que o frio da noite pode bater na minha cara e no meu pescoço descobertos, em que o sentirei tão mais real, em que me sentirei beijado pela noite, como há muito não sentia.

Sinto-me... à mercê de um sentimento, que não sei, não consigo explicar. 

Há muito tempo que tenho sentido velhas ânsias, velhas vontades, velhos desejos, que hoje, ao olhar para as cicatrizes que ficaram, dá-me bastante tristeza. Diz-se que as cicatrizes têm a força de termos sobrevivido a uma tentativa de derrube. Mas nem sempre podemos congratular-nos, felicitar-nos por termos sobrevivido. Para alguns de nós, sobreviver é uma questão diária. Para alguns de nós, não importa quanta alegria possa existir, quantas razões há para sorrir... haverá sempre uma velha mágoa, haverá sempre uma ânsia a espreitar, à espera de consumir-nos. Para alguns de nós, que nunca derrotaram os seus demónios e decidiram fazer "pactos" com eles, trazendo novos demónios para o covil, por estupidez e irresponsabilidade, sobreviver é uma questão de manter a cabeça à tona da água todos os dias. Um mínimo descuido e é regressar ao Inferno do qual tentamos manter-nos afastados.

Não sei se foi o chafurdar em velhas emoções, pesquisar velhos sentimentos, falar (ou tentar) de coisas das quais não se fala nunca. Não sei se ainda estarei sob o efeito do que seja. Não sei.

Talvez não deva continuar nisto e deva avançar para outra coisa... talvez...

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