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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

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Vários devaneios

Dezembro 22, 2017

Bruno

Agora, as coisas são algo diferentes - venho aqui com outros propósitos. 

Venho aqui, querido diário, depositar ódios, raiva, amargura. Venho aqui, dizer do que me fez sorrir. Venho, por respeito a mim, porque preciso do meu poiso, depois de ter-me embalado numa escrita, sobre livros, sobre histórias, sobre poesia e mulheres que respeito imenso, que têm algo a dizer.

 

Venho aqui, sem bem saber o que dizer.

Venho aqui, porque "eu também". E porque, pensando bem as coisas, o perigo é real. Porque, numa qualquer esquina escura, eles estarão lá. E, "não" tomará força. "Não" tomar-me-á à força.

 

Venho aqui, porque... sem porquês. 

Porque não dá para confiar. Porque não dá para não perceber.

Venho aqui, porque sinto mais que muitos deles - a energia que emanam, a maneira de falarem ou agirem, ou mesmo de escrever, de como empregam as palavras. Até os rodeios são todos iguais.

Venho aqui, porque a rua escura não é segura. Porque, se nunca o foi, cada vez menos fica.

 

Ouço fado.

 

Há coisas que, se faladas, parecem filmes. Há outras, que se eu as contasse, quebrava corações. Mas não é esse o meu problema: enfrentar as reacções dos outros é que me assusta, porque, os meus demónios, já os conheço bem demais.

 

Escrevo pela noite fora, sem qualquer tipo de consideração. 

Tinha este blog separado de todos os outros. Tenho, devagarinho, migrado para aqui. Os outros, parados, descansados. Dormem, de mansinho, da mesma forma que eu não sou capaz. De vez em quando, lá recebem uma entrada e, mais uma vez, voto-me ao silêncio. 

Escrevo pela noite fora, sem consideração de finalidade. Sem consideração pelo leitor.

Dispo aqui a minha alma.

 

"Boa noite! O meu nome é Bruno, tenho 30 anos e sou alcoólico..." 

Ai, espera, não é este tipo de encontros?

Ah, OK. Querem que me apresente? Mas não foi isso que eu já fiz?

Está bem, está bem, não sou alcoólico, mas prontos, fica a intenção. 

 

Escrevi, sem querer saber que mais aconteça, a quem chegue, a quem choque ou toque. Escrevi, sem querer saber se era bem ou mal.

Escrevo, porque o meu mal é nunca eliminar os pensamentos tóxicos. Não escrevo, não desenho. Faço-o de tempos a tempos, tenho duas notas no telemóvel, com matéria para procurar e estudar. Exercícios prácticos. Porque quero, mas a preguiça leva sempre a melhor. Porque jogo sempre, ao invés de estudar, procurar o que estudar, praticar e praticar e desfazer a minha alma, naquilo que faço, naquilo que desejo. 

Escrevo, neste momento, por ter sido um momento oportuno, porque não falo com ninguém, porque não confio os meus segredos, as minhas inseguranças, as minhas fragilidades a ninguém. Escrevo, porque a escrever, aqui e agora, não há quem me diga o que é certo, nem o que é errado.

Escrevo, porque não aceito ser rebaixado, por não dar aquilo que esperam que dê. 

Escrevo, porque, mesmo "puta", ainda tenho direito a escolher com quem o ser. E não são os vossos egos que ditam os meus objectos de desejo.

 

Recordo-me de uma noite, tantas noites, em casa de alguém que me era bastante querido. Alguém que eu considerava como um grande amigo, uma amizade de quase 18 anos, que teve uma atitude péssima. 

Recordo-me dessa noite, em que, bêbedo, envolto num dos seus vários desvarios, deixou-me no computador. Comecei a escrever coisas parvas e sem sentido, que ele ia lendo, quando se sentou ao meu lado, até me dizer: "ninguém está a chamar por ti!" Obrigado, idiota (que risada!)

 

Escrevo.

Escrevo, porque são tantas coisas aprisionadas aqui dentro.

Será possível alguém enfiar a mão dentro de mim? Bem lá dentro, bem fundo, puxar este lixo todo a ferros?

(Aposto que já estavam com ideias sujas, seus perversos! Admitam lá, agora sorriram!)

E assim temos a minha forma de me escapar a tudo: gracejo, se não me reservar ao silêncio. 

Mas é isto o que me faz escrever. Quando desenho, é porque as palavras não me chegam. É, então, que as palavras são escassas em significado, para atingir o que vai aqui dentro. Costumava ser sempre.

Tenho... tenho mesmo que me desenvolver nisto ou não me liberto, nunca mais.

 

Sabes?, ainda não encontrei um ponto de equilíbrio. Há pessoas que acalmam e melhoram com a idade. No meu caso, eu tenho piorado com os danos que vou recebendo.

A experiência dita-me que, mais vale prevenir... sabem o ditado. Elevar muros? Uns atrás dos outros. Armas? Tenho todo um arsenal, nesta batalha campal que é sentir.

 

Agora, tenho diante de mim um dilema: continuar a escrever? Parar agora?

 

Parece que tenho mais a escrever. 

Não faz sentido? Não importa. Deita cá para fora. Regurgita tudo isso.

 

Parece que há uma qualquer artimanha, que me provoca a escrita nas piores situações.

Há pessoas que escrevem pelo calor, pelo riso, pela gargalhada, pela forma como seguram cigarros.

Outros, como eu, escrevemos no caos interior, transparecendo-o à nossa escrita. 

O mesmo sucede com qualquer género artístico. De nada adianta discutir processos criativos, cada um processa-se consoante a sua própria funcionalidade.

 

Começo a dispersar-me.

Agora, talvez seja, realmente, hora de parar. Caso surja algo mais, aqui estarei.

 

Boa noite.

 

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