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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

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Talvez eu não seja para toda a gente

Agosto 22, 2017

Bruno

Tal como o meu gosto musical, eu não sou para toda a gente. E, de há uns tempos para cá, apercebo-me da minha atitude face às pessoas. Pessoas que, por educação cortesia, permaneciam na minha vida, são agora, de certo modo, escorraçadas da mesma.

Desde há muitos anos que eu digo que vou morar para aquela aldeia onde moravam os meus avós maternos. Após a morte de ambos, separadas por uns anos e um mês, achei que não voltaria àquela terra, mas o facto é que, depois de duas semanas lá, o meu desejo de regressar é enorme, após, apenas, 24 horas do meu regresso a esta cidade, que detesto cada vez mais, com gente desprezo cada vez mais. O meu ideal daquela aldeia, é o facto de ter cada vez menos gente e, especialmente nos meses de Outono e Inverno, a possibilidade de ver alguém é quase nula. Adoro aquela terra, por todos os dias e meses, fins de semana lá passados, após viagens de seis horas pela madrugada fora. Adoro aquela terra pelas minhas origens (nasci lá perto; felicito-me de não ter nascido em Lisboa ou numa outra cidade dessas, senão a minha adorada Viseu), por todo o verde que se vê, quer da minha janela, quer da estrada que caminhamos para ir beber café numa aldeia vizinha; adoro a minha terra pelos montes que se vislumbram atrás de montes e da possibilidade de isolamento que aquelas paisagens me proporcionam. 

Durante o dia de sábado, foi fazer uma excursão com a minha família paterna. São, também, daquela zona, mas de uma outra aldeia. E lá fomos, em direcção a aldeias ou vilas do Porto, ao Santuário da Penha... e, ver toda a vastidão de verde, tirando uma ou outra área ardida, de montes atrás de montes, mal se vendo aldeias ou casas, num contraste imenso com estas cidades cheias de gente que, mais dia, menos dia, acabarei por detestar, por que motivo for, carregadas de prédios, para onde quer que se olhe, fiquei desejoso de desaparecer em toda aquela vastidão. (Talvez já tenham reparado que "vastidão" é uma das minhas palavras favoritas)

Estou cansado destes sítios. 

Estou cansado de sentir que, tal como o meu gosto musical não é para todos, eu não sirvo para a maioria das pessoas - porque, talvez, seja eu que não sirva para lidar com as pessoas, apesar de trabalhar sempre em hotelaria, de adorar o que faço, e não o contrário, ou seja, não serem as pessoas que não sirvam para mim. 

No meu âmago, sinto que as cidades me gastam e matam-me rapidamente. Fiz trinta anos no principio do mês e pareço bastante mais velho. Fiz trinta anos e sinto-me muito mais velho, bastante cansado e desgastado. 

Talvez, eu seja apenas um dos muitos loucos, que vivem neste mundo imenso, acreditando ser dos mais sãos de todos eles.

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