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O fumo do meu cigarro

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Sobre os incêndios e o oportuno "achado" das armas de Tancos

Outubro 19, 2017

Bruno

Escrevi um texto sobre o que se passou no fim de semana, num outro blog que mantenho há vários anos.

Hoje mesmo (ontem, visto que são três e meia da manhã), escrevi um longo texto no Facebook, em tom de revolta e de desabafo, por tudo o que se passou no nosso país e na Galiza durante o fim de semana. Escrevi em tom de revolta, de amargura, pelo facto de existirem pessoas que, mesmo após tudo aquilo que se passou, não verem para lá do seu partido se eleição.

Deixem-me tentar organizar as ideias.

Começo pela madrugada de sábado, quando soube que o imenso incêndio de Nelas se tinha juntado ao de Seia, se não me falha a perturbada memória, estando já em Quintela de Azurara. Quintela, que fica a escassos quilómetros da aldeia onde tenho amigos, a casa que me ficou dos meus avós. Quando soube que Mangualde, a cidade de Mangualde tinha sido evacuada, pois o fogo tinha lá chegado. Quando soube que amigos estavam em risco, que aquilo que lá temos estava em risco. Quando recordei que tinha alguma família em risco - a última das minhas preocupações, por muito frio que pareça.

Essa madrugada que passei agarrado ao Twitter, a tentar saber noticias sobre o avanço do fogo, ao Facebook a tentar contactar amigos que tivesse por lá, a tentar saber se estavam bem e em segurança. Uma madrugada não dormida, para mais um dia agarrado ao telemóvel na esperança de saber de algo.

O fogo foi finalmente dominado. Reacendeu-se. Foi dominado, novamente. Haviam outros fogos. 

Tudo acabou, a chuva chegou e todo o turbilhão de coisas que temos visto. E, além da raiva que sinto, da mágoa, da intensa tristeza, além do alívio por saber tudo acabado - por enquanto - sinto nojo. Nojo das pessoas que foram vistas, armadas, em motas a atear alguns dos fogos; nojo desses governantes que disseram "nunca mais!", para termos este ataque terrorista, quatro meses depois. 

Escrevi um longo texto no Facebook, que visava a raiva que sinto, por sermos marionetas nas mãos destes governantes que acharam, justamente hoje, no meio deste turbilhão, as armas "roubadas" em Tancos. Justamente hoje? Do nada? Ou será esta uma maneira de desviarem as nossas atenções e tentarem fazer com que esqueçamos do assassínio de 100 pessoas, do preto e das cinzas, onde antes haviam verdes árvores ou do recordar de algo horrível, de cada vez que algo queimar no fogão? Não será esta uma forma de tentarem iludir-nos, face ao imenso terrorismo que praticaram contra nós, tentado esconder outros "nunca mais" incompetentes?

Sinto nojo por pessoas, tal como um gajo no meu Facebook, assumidamente do Partido Socialista, ou o Bin Laden do Twitter, também este assumidamente Socialista, verem apenas as cores partidárias? Pedem isto e aquilo, a demissão de Marcelo Rebelo de Sousa, mas não do Indiano de serviço, que faz as armas aparecerem milagrosamente, justamente nesta altura. Uau!

Sinto nojo, porque um Governo que devia defender o seu povo, os interesses e o bem-estar do mesmo, tenta atirar-nos areia para os olhos de variadas maneiras. Porque as cores partidárias estão muito acima das pessoas que morreram e das que cá ficaram, sem nada, com gente perdida, assassinada de forma bárbara, sem a batalha de toda uma vida. Sinto nojo, por ter que ouvir as revoltantes comunicações dos bombeiros, sem terem qualquer ajuda de ninguém. Sinto nojo de ter que ler uma carta da Força Aérea a pedir desculpas aos bombeiros, porque simplesmente o Governo não os autoriza a saírem para o combate aos fogos. Sinto nojo de muitas coisas, de sentir que tudo isto, de alguma forma, sairá impune, sem castigos, nem soluções prácticas. Sinto nojo, por sentir nojo e por não conseguir sentir mais nada, senão nojo, uma imensa e profunda tristeza e muita, muita raiva!

Depois disto tudo, não consigo também deixar de pensar na União Europeia e na sua inacção. Já é a segunda catástrofe em que somos deixados à sorte e eu pergunto-me então: serve para quê, esta "união"?

Sem mais delongas, porque começo a sentir que perco o sentido do que escrevo, termino então se texto com o apelo à que nunca o esqueçamos então se que nunca deixemos o governo, este ou qualquer outro, esquecer as cinzas e o sangue que têm nas mãos. Apelo, ainda que saiba inútil, que ponderemos trocar as cidades e vil temos então aos interiores, às nossas aldeias, às terras que muitos de nós herdámos e que cuidemos disso. Esta é uma das muitas maneiras que temos para nos ajudarmos a nós próprios e de defendermos o nosso país contra futuros ataques deste género - na madrugada seguinte aos grandes incêndios, havia gente de vigília por lá, pela minha terra, gentes conhecidas de carro, a vigiar as estradas e as entradas nas matas.

Que NUNCA MAIS nos matem, aos nossos, ao nosso país. 

Que NINGUÉM possa sair impune e que as armas, supostamente roubadas, não sirvam de distracção a este ataque terrorismo à escala nacional.

Vi no telemóvel, que as temperaturas sobem para os 25 outra vez, na semana que vem. Vigiemos o que resta e asseguremo-nos de que, se algum filho da puta for apanhado a atear um incêndio, que fique amarrado à árvore mais próxima ao fogo ou, então, braços e pernas partidas!

 

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