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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

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Não sei de nada

Janeiro 10, 2017

Bruno

Não sei de mim. Saí por aí, numa noite de ansiedade e não regressei. Danço às músicas da morte, às músicas da noite, às forças ocultas. 

Não sei de mim. Perdi-me no horizonte do meu olhar melancólico e no meu riso disforme, sem controlo, ao ponto de chorar de tanto rir. Saí por esse mundo, cujos limites são a minha cidade, mas não regressei. 

Olho-me ao espelho e não me reconheço. Não me importa já. Deixei de procurar sentimentos, limito-me a viver, limito-me a sentir. De tempos a tempos, brinco e digo: "não fales assim comigo, que tenho sentimentos!" e alguém há que, do nada, responde: "tens, tens!"

Não me importa o que faz de quem quer que seja, o que é que vive, o que é que escolhe fazer. Tenho que saber, sem saber, do meu caminho. E o meu caminho é de estar só, contente com a minha companhia, escrever cartas, escrever versos parvos, escrever nos blogs, desenhar de tempos a tempos, aprender músicas a cantar ou dançar pela casa fora, enquanto estou só. 

Não me importam os outros, aquilo que querem, aquilo que desejam. Não me importa a sua felicidade. Não me importa a sua tristeza. Importo-me eu, os meus sentidos, os meus instintos, os meus valores, os meua princípios. Importa-me a ansiedade que me consome e que me traz tenso, que é a minha querida companhia.

 

Saio por aí. Vou dançando. Vou cantando. Vou escrevendo. E os outros passam-me ao lado, ainda que nunca deixe de ver e reparar em tudo, ainda que me seja impossível estar sem observar o que se passa à minha volta, especialmente em locais que me são relativamente estranhos, com gente que me é relativamente estranha. 

 

Não me interessa. Este é só um devaneio. 

Talvez morra aqui este espaço. Talvez dure mais um tempo. Ninguém sabe. Ninguém adivinha, nem mesmo eu, com toda esta inconstância de sentir e de viver. 

Não sei de mim, sem nunca me ter perdido de vista. Não sei dos meus sentimentos, sem nunca os ter perdido, senão para torná-los carnais, sem vontade, com desejo, sem vergonhas, com medos. 

 

Não sei de nada. 

Nem do medo! 

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