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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

11
Dez16

Mãe

Bruno

Há coisas que são tão universais, que não vale a pena escondê-las. Aliás, não devem esconder-se. 

Há sentimentos tão universais, que devem escrever-se. Devem falar-se. Devem cantar-se. 

Mãe. 

Tu não gostas deste meu estilo de vida

Tu não gostas que passe noites na rua,

Não gostas que eu saia de madrugada. 

Não sabes. Não entendes. Não podes entender este fascínio, este amor à noite escura, às ruas sombrias, ao frio da noite de Inverno. Não sabes que as arcadas de um prédio ensinam sobre nós, sobre a vida, sobre tudo o que possa imaginar-se. 

Mãe. 

Eu não sabia que gente mais nova podia ensinar-me tanto, 

Não sabia que podia gostar-se tanto de um grupo de pessoas, 

Não sabia, mãe, que viria a querer proteger alguém, com tanta força, que existisse tanto carinho que existisse por um grupo de pessoas. 

Boa gente. 

Boa fé. 

Sabia. Não conseguia recordar-me. 

Mãe. 

Mãe. 

Perdoa-me por não corresponder aos ideais que tens de um filho perfeito, 

Perdoa-me por não ver, do mesmo jeito que tu, o que é uma boa vida. 

Mas, 

Mãe, 

Permite que abra as minhas asas, 

Permite-me voar, 

Permite que eu seja quem sou, não queiras que eu queira ser outra coisa, 

Outra coisa qualquer, disforme, sem sentido, 

Um rascunho de gente. 

Mãe. 

Acendo um cigarro.

Aqueles que amaldiçoas todos os dias, 

Acendo um cigarro. 

Permito-me voar através das minhas palavras. 

Permito-me, através do meu estranho jeito de viver, a conhecer um estranho mundo, que é triste, decadente, mas que tem um encanto brutal. 

A brutalidade de viver equivale à brutalidade de sentir e nem isso impede que as vidas sejam recheadas de coisas boas. 

Assim, mãe, como o que é bom para ti, não é bom para mim, 

Vice-versa. 

Mãe. 

Não julgues que não te amo. 

Não julgues que não te escuto

Ou que não me permito conhecer a tua preocupação. 

Mãe. 

Vou sair por aí. 

Vou voar. 

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