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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

14
Out16

Irritações e devaneios

Bruno

Bem sei que repito as músicas que partilho. Muitas vezes. Mas que se foda. Não peço a ninguém que me leia, que ouça as músicas que partilho. 

 

O meu humor não anda dos melhores. Chega o Outono. Chega a chuva. Chegam os dias mais curtos. E por muito que goste deste tempo (gosto de todas as estações, com as suas diferentes magias e danças), o meu cérebro não reage muito bem às mudanças de estação. Ora fico extremamente ansioso e irritado ou fico bastante deprimido. 

Basta-me a minha vida e os meua problemas (os quais não discuto com ninguém, excepto pequenas coisas) e não me interessam já os problemas ou os dramas alheios. Tudo isto, levou já a que, devido à estupidez, também alheia, escrevesse no meu blog, exclusivo ao Inglês, uma espécie de primogénito. Escrevi no meu segundo blog, embora não haja grande razão para aquele texto. Apenas um pequeno devaneio, talvez auto-biográfico. E estou aqui. 

 

Este texto adivinha-se longo. Até porque, ao fim e ao cabo, preciso exorcizar esta sensação. Coisa sem motivo aparente, sem ser a estupidez alheia, sem ser a minha pouca paciência. 

 

Gosto da noite. Das ruas da minha cidade. Da vida que, por vezes, habita em horas de sono para muitos. Mas não gosto de ser colocado em situações de perigo. Basta-me escolher tudo isto, toda esta noite nas ruas desta cidade, nas companhias que, às vezes, escolho, as rotas que faço sozinho tantas vezes. Basta-me saber que eles andam por aí (e não há qualquer gracejo nisto), saber que as pessoas são loucas o suficiente, para que mal confie nelas. 

 

As pessoas querem-se. Desejam-se. As pessoas furam os próprios casamentos por opção e, por outro lado, arrastam-te a "lugares comuns" onde não queres encontrar-te. Não és o amante. Mas és alguém que é visto como uma ameaça. E isso não tem piada. Pelo menos, não tenho vontade nenhuma de rir. 

As pessoas olham-te. És apenas outro. Talvez mais parvo. Talvez mais genuíno e mais desligado deles, apesar de por hábito, olhares em redor. As pessoas começam a saber-te. Fazem de ti um alvo, disto ou daquilo. 

O mundo é dos homens. Homens heterossexuais, que matam, em mim, comigo, a tensão acumulada. Que matam, em mim, comigo, alguma curiosidade reprimida. Que descobrem, em mim, comigo, uma nova sexualidade. Algo tão escondido dentro deles, que os rasgou por dentro. 

(Numa imagem puramente estilizada, são velas rasgadas, desde as entranhas, a baloiçar ao vento. Presos a um mastro, que lhes sai pela boca.)

O mundo é dos homens. Com mulher em casa. Dos homens cientes de quem são, de quem gostam ou do que gostam, que procuram esse mais que lhes falta, enquanto as mulheres dormem. 

 

 

O mundo é meu. Caravana que passa, cofre cheio de segredos. Meus e dos outros. 

 

Atrevo-me pela vida. Danço com as trevas que dançam na minha alma. 

 

Se, por um lado, ando extremamente irritado, por outro, sinto-me inspirado para algumas coisas. Escrever, como se nota nestes devaneios. Tentar usar cores no papel, ainda que seja algo abstracto. Porque é abstracto o que consome a minha alma. 

 

Tanto quis e tanto desejei. Não tive tudo o que quis, nem tudo quanto desejei, mas consegui uma grande parcela dessas mesmas coisas. Tive, nas minhas mãos, uma grande parte dessas pessoas, desses lugares, desse respeito. 

Estou aqui. Sem dor, nem mágoa, estou aqui. 

 

Não me digam, não me peçam que goste mais das pessoas, que queira alguém na minha vida. Não gosto das pessoas o suficiente, não confio nas pessoas o suficiente para ter amores. Já é difícil, actualmente, manter as minhas amizades (quando "dão demasiado em cima", já deixo de atender o telemóvel, que passa dias e semanas sem tocar), quanto mais outra coisa qualquer. 

 

Não me peçam calma, nem paciência. Não as tenho o suficiente. 

Não me peçam conselhos, se vão ignorar o que digo, se obrigam a que me repita. 

Não me peçam que vos acompanhe. Que seja vosso cúmplice. 

Não tenho grande disposição para este tipo de merdas. Basta-me já a irritação diária e o trabalho que, ainda sendo poucas horas, é o bastante para consumir-me dessa mesma irritação. Basta-me quem deve e não paga e exibe vidas imensas, coisas novas, animais novos. Basta-me a merda toda que anda lá fora, não preciso da merda alheia na minha vida. 

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