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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

03
Jan17

É uma espécie de um Fado...

Bruno

A vida... A minha vida é um Fado. Ou fiz do Fado a minha vida. Não sei bem. 

Não canto o Fado, senão quando estou em casa. Ou quando subo as ruas da minha cidade. Ou quando estou a trabalhar e não atendo ninguém. Canto baixo, tão baixo que soa mal. Canto alto, em casa, numa voz que acredito afinada. 

"Tudo isto é Fado", já cantava a minha bem-amada Amália. 

 

Na sexta-feira que se passou, fui jantar a Lisboa e sair um bocado. Tirei a noite, para ir a um encontro de correspondentes. Eu e a minha correspondente Lisboeta e o namorado, a amiga dela, também Lisboeta, e a sua correspondente e o namorado, Alemães. Fomos sair um pouco. Despedimo-nos a meio da madrugada. Apanhei um táxi para casa. 

Vi o que tenho andado a perder, num local de trabalho que me prende mais por gosto, que por compensação financeira que é demasiado baixa, para ser... Satisfatória. Vi aquilo que quero de volta, aquilo que este ano tem de mudar. 

Quero, uma vez mais, os dias ocupados com trabalho, as noites nas ruas, de preferência que não sejam as da minha cidade, a viver, a ver gente que passa, a escrever ou a desenhar, na mesa de um café ou de um qualquer bar de esquina. A sensação de caça, de perigo interminável, de existência... 

Quero largar-me no meu Fado, espraiar-me na minha essência, beijar o luar. 

 

Palavras que, na sua maioria, soam a bonito, mas que mantém a verdade. Palavras que tento manter cuidadas, acariciar e acarinhar, enquanto as deposito no papel ou no ecrã, sem negar a treva da vida. 

 

Procuro-me. 

Ando sempre à procura de mim mesmo, sem entender que já encontrei o meu ser. A minha essência. 

Ando sempre à procura de qualquer coisa, de qualquer traço meu, sem me aperceber que sou parte do mar, que venero, ou da vastidão do Universo, do qual tenho um vislumbre a céu aberto e sem luzes artificiais, das músicas que amo, mesmo que ninguém saiba que as amo. 

Ando sempre à procura, sem ter noção de nunca perdi. E é isso que me faz sentir tão perdido. 

 

Admiro a coragem de muita gente, sem me aperceber da minha própria coragem, da minha vivência e sobrevivência. 

Desejo certas pessoas, sem recordar-me daquelas que já possuí. Desejei, possuir, desejei mais e outras... Não receio. Não receio já, este caminho, embora procure uma boa definição, que mantenha anonimato, da minha essência. 

 

Então, acho que é necessário sair. Sair por aí, beber, fumar, ver as pessoas que passam, os carros que não páram, sentir a brisa da noite a beijar a minha pele com o mesmo amor com que beija a fachada antiga dos prédios. Acho que é preciso sentir... Sentir muito, viver o nosso Fado.

 

Cada um é para o que nasce. 

E algumas nascem da treva, para o que são. 

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