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O fumo do meu cigarro

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Drogas: Quando é que se atinge o limite?

Janeiro 31, 2017

Bruno

 Imaginem que são cinco da manhã. Recebem uma mensagem de um amigo (no meu caso, é mais certo estar acordado), começam uma conversa e ele diz-vos que está com um pedradão de todo o tamanho. Conversa puxa conversa e o pedradão fica assustador. 

Ele começa a dizer coisas assustadoras: sente-se super acelerado, respiração difícil, não consegue estar quieto, atrofia com tudo. Começam a dar-lhe na cabeça, a dizer que tem que procurar ajuda e ele assume que já "largou" o vício várias vezes, mas que volta sempre que as coisas estão menos bem. Conversa puxa conversa, afinal conhecem-se há vários anos, até que ele fica emocional.

"A Avenida é espectacular vista de um sexto andar. Não te preocupes, não é um Adeus."

Conseguem manter a conversa. Conseguem mantê-lo ali, horas a fio. Afinal, apesar de já terem idade o suficiente, ainda moram com a vossa mãe. Vão dormir? Eu não dormi. 

Horas a fio, mantém a conversa. Ele fala em verem um filme, mas existe aquele dilema: sair de casa de madrugada, tendo regressado pouco antes.

Chega a manhã e vão ter com ele. Ele treme por todos os lados e oferece-vos um café. Apesar de nunca terem gostado de café sem açúcar, sabe bem nessa manhã. Fumam um cigarro, enquanto o vosso amigo treme, aperta o nariz, que diz doer-lhe - fruto das drogas? - deitam-se na cama com ele, enquanto ele mexe e remexe no telemóvel, tentando ligar para o trabalho. Fala com um colega (ou com o chefe?). Deita-se ao vosso lado, escondendo a cabeça. Levanta-se várias vezes, para ir à casa de banho e ouvem-no assoar-se várias vezes. Volta para a cama, deita-se ao vosso lado, até que decide ir dar uma volta debaixo de chuva, enquanto o acompanham debaixo do vosso guarda-chuva, que ele recusa. Dão uma volta e, de regresso, ele pergunta se ficam ofendidos que ele fique sozinho. Deixam-no.

Claro que o deixam com uma preocupação enorme.

Não é a primeira vez que, de madrugada, há destes movimentos obscuros. Por duas vezes, pediu-me que enviasse uma SMS a alguém, para que falassem com ele no messenger. Uma delas, tinha a ver com dinheiro que, provavelmente, terá sido utilizado na droga.

Outra vez, fomos dar uma volta de carro, não sem que usasse desse seu "escape".

Esta madrugada, não dormi com o medo de uma possível overdose ou de suicídio. E é aqui que entra a minha pergunta: quando é que se atinge o limite? Quando é que se deve dizer não numa situação destas, mesmo sabendo que nos custa todo o coração e toda a alma? Como é que se faz alguém parar, especialmente alguém que assume "já ter parado várias vezes"?

Não é a primeira vez que ando com gente nestas andanças. E, por muito que se goste das pessoas, já me afastei o bastante das pessoas. Mas nunca apanhei um susto destes, com todo o medo inerente a que o pior acontecesse. Nunca receei que alguém tivesse uma overdose ou se matasse ou mesmo que tivesse uma overdose ao meu lado...

Não sei como devo reagir nestas situações. E não quero ter um peso na consciência de poder ter estado ao alcance de ajudar alguém e ter, simplesmente, virado as costas por estar farto. Não quero, não consigo abandonar um amigo à sua sorte, quando posso, no mínimo, estar presente.

Como é que sabemos quando é que já chega? Como é que agimos numa situação destas?

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