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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

06
Mai17

Dois dias depois...

Bruno

Dois dias já se passaram. E esse sorriso não voltou para nós. 

Pensei que estava doido. Que era o único que esperava que fossem encontrar-te vivo. Mas vejo que há muito mais gente à espera disso.

Queria que soubesses o quanto gosto de ti. Conheci-te como cliente do café em que trabalho. Ali, aprendi a conhecer-te e a conhecer quem se dava contigo. Ali, fora dali, aprender a gostar de vocês e sempre gostei de ti. Há dois dias, o mar levou-te. Hoje, o messenger do teu Facebook apareceu online. Ontem, tive que dar a notícia a um dos teus amigos. Hoje, ainda quero acreditar que apareces com vida, para junto de nós. Talvez venhas com o sorriso típico, as tuas frases típicas, a dizer que estavas a gozar connosco este tempo todo.

Dois dias já se passaram. Mais calma. Mas não menos sofrimento, mas não menos o sentido de impotência. Impotência perante o que se passa contigo, impotência perante a possibilidade de ajudar os outros com a sua dor. Impotência que se transforma em frustração, especialmente quando sinto que há pessoas que se sentem "atacadas" quando lhes digo que estou aqui, para o que precisarem, à hora que precisarem. 

Isto, lembra-me de ti, mais uma vez: na outra manhã, depois daquelas noitadas com o Dário, ligaste-me às seis e meia da manhã, para eu abrir o café, porque sabias que eu acordava àquela hora. Sabias que não importa a hora, podem ligar para o meu telemóvel, que está sempre ligado para vocês. Fui ter convosco, ajudaram-me a montar tudo. Foram curtir um joguinho de setas, enquanto eu preparei algo para vocês confortarem o estômago. 

Queria que o meu telemóvel tocasse daqui a duas horas, contigo a pedir que abrisse o café. Queria entrar no café à tarde e encontrar-te, rodeado das pessoas. Queria que tudo isto não passasse de um pesadelo.

Dois dias passaram-se. E esperança esmorece lentamente, enquanto sonho com a possibilidade do teu regresso, a rir, sempre a rir, sem que tudo passasse de uma brincadeira estúpida. 

Fazes-me falta. Fazes-nos tanta falta.

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