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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

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Devaneios estúpidos.

Setembro 14, 2016

Bruno

Acontecem coisas, que merecem mais o silêncio. Acontecem rasgos de vida e imensas confissões, que não se fazem a nós próprios. 

A música toca e vou olhando para a imovel imagem no ecrã. Algo triste anda dentro de mim. Sinto necessidade de balançar-me ao ritmo da música, mas não o faço.

A noite passa-se. Em becos escuros e estradas no meio de nenhures, gente ama-se (ou come-se) desenfreadamente, gente morre. 

Vida acontece, a morte anda à espreita. 

 

Não vejo a noite de hoje como uma melhoria. 

Não a vejo como um progresso. 

Não saí desiludido, mas também não saio surpreendido pelas labaredas da depressão.

Sinto que só melhorou, por estar em casa. Sinto que só melhorou, por estar a ouvir música, sentado no sofá, longe desses jogos. 

 

- Não posso dizer.

- Não posso responder. 

- Não interessa. 

- Vou ficar bem. 

Costumo guardar as minhas coisas para mim, costumo celebrar a vitória sozinho, costumo sofrer sozinho (salvo raras excepções). Não sei abrir-me com ninguém, não consigo fazê-lo. Sobram-me os meus versos, sobram-me as cartas que escrevo, sobra-me a hora solitária, o fumo que se desvanece no ar, os mortos que vamos deixando pelo caminho. 

Sinto-me como os velhos caminhos da minha aldeia, em que, à morte dos que trabalhavam no campo, a natureza toma conta do que é seu. Absorve pedras amontoadas, que outrora formavam casas, as silvas crescem descontroladamente, os que vão sobrevivendo observam, resignados, a sorte daquele sitio. 

Foi sendo consumido pela natureza e estou, lentamente, a desvanecer-me. 

 

Um dia, alguém muito velhinho, falará o meu nome para alguém e dirão: "Bruninho? Nunca ouvi falar!"

O mundo seguirá o seu rumo. A vida seguirá a sua evolução e ninguém mais se lembrará de mim.

É igual. É igual. 

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