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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

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Ao Fleuma

Novembro 30, 2016

Bruno

Escrevo este texto sem nenhum motivo em especial. Partilho estas músicas sem qualquer razão especial, senão pelo meu amor à música árabe, senão por sentir-me bem a ouvi-la, a dançar, pela noite fora, como se estivesse sob o efeito de drogas. 

 

Escrevo sem motivo nenhum, digo. Mas tem um motivo, sim, o de tentar mostrar algum apreço pelo Fleuma, pelo seu blog e pelas suas palavras. Posso, talvez, não encontrar as melhores, nem as mais correctas palavras. Posso, talvez, dar uma espécie de ambiguidade às minhas palavras, perder-me em devaneios, revolver as entranhas da minha alma, rebuscando nas trevas em que me banho. Mas sinto que tenho que fazer isto, sinto que tenho que tentar mostrar que há quem, ainda que virtualmente, se apegue às pessoas, às suas palavras, à ideia que nasce, em nós, da pessoa atrás do blog. E pode parecer egoísmo, mas é-me impossível ver um dos meus blogs favoritos a desaparecer, simplesmente, sem tentar o que seja. 

 

A noite vai passando. Vou enrolando e fumando cigarros. Vou sentindo a música vibrar dentro de mim, enquanto as minhas ancas abanam no sofá em que me sento, como se dançasse no meio do deserto. Ao longe, à entrada de uma cidade, vejo uma figura negra, segurando uma tocha. Não me parece que o conheça, mas, ao mesmo tempo, é estranhamente familiar. Talvez que, as almas, afinal se liguem num outro plano qualquer. Talvez, eu esteja apenas desesperado, com receio de perder uma ligação a alguém em quem, de certo modo, me reveja, capaz de entender o que digo e o que sinto, sem julgamentos, sem floreados de que tenha que, obrigatoriamente, seguir certas regras que as gentes de uma sociedade acham que tenho que seguir. 

 

Acreditem-me ou não, eu sei, ainda que esteja meio perdido, o que quero e, melhor ainda sei, aquilo que não quero. Acreditem-me que, eterna melancolia, como é o meu e-mail, como algumas ligações porno, fetichistas, não me impede de rir, de querer, de desejar, de saber bem. Acreditem-me, há muito que deixei de fazer para os outros, pelos outros, senão por mim mesmo e, apenas, para mim mesmo. 

Mesmo quando se trata de desenhar, de escrever, ainda que nos blogs, apesar de verificar estatísticas, é por mim e para mim que o faço. Que os outros vejam, que os outros se toquem, acaba por ser um bónus e não é pelos outros que mudo um pouquinho que seja. É por mim e por mim, pela verdade de mim, da minha existência que o faço. 

 

Tal como disse, vou atrás dos meus devaneios. Mas é aquele blog, aquele homem que os escreve, que me ttaz até aqui, até este texto. É aquilo que ele escreve, são as imagens que ele partilha, são as verdades contidas na sua prosa, é a crueza que ele deposita nas suas palavras que me faz sentir vontade de escrever isto. É o reflexo, talvez egoísta, que vejo da minha alma, que faz com que decida escrever-lhe este texto, algo perdido, algo confuso, tentando mostrar-lhe que, apesar de ele escrever para ele mesmo, há quem goste do que escreve, há quem procure essas palavras. 

 

Por isso, meu querido Fleuma, escrevo este texto para ti e apenas para ti. 

Devoto-te a minha admiração. 

Devoto-te as minhas palavras, neste texto, os meus templos de sonho, os meus desertos, os meus oásis, as minhas cidades milenares. 

 

Boa noite! 

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