Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

Angústia: inspiração de merda

Outubro 26, 2017

Bruno

A noite já vai alta. É mesmo quase de manhã. 

Devia estar a dormir. Ou a acordar agora. Quem sabe? Quem é que quer saber?

Fiz algumas coisas que adiava há algum tempo. Fiquei-me, também, pelo Fado, por ouvir os mesmos Fados de Ana Moura, repetidamente. Fados de desamor. 

 

Desamor.

 

Há muito tempo que não sei o que é amor. (Este tema surgirá sempre. A escrever ou a desenhar, para não ter que viver.)

Há muito tempo que ouço músicas românticas, daquelas que tem letras bonitas, ritmos que me agradam, sem que tenham qualquer significado especial para mim. E, enquanto já lamentei a ausência desse sentimento na minha vida, sou eu que me mantenho à parte disso mesmo.

Sei que há quem me chame de doido, por isto e por muitas coisas mais. "Queres viver ou sobreviver?", pergunta-me o meu amigo, quando digo que fujo dos sentimentos para sobreviver. Não que tenha um especial desejo de viver, mas para o fazer, tenho que sobreviver: sobreviver aos outros, sobreviver a mim mesmo, sobreviver aos sentimentos, que mato à nascença, afogando-os no tanque nas traseiras da minha casa de campo imaginária. Tenho que sobreviver aos merdas que pisam essas mesmas ruas que eu, esses filhos da puta que se acham donos de tudo.

Há muito tempo que não sei o que é sentir amor. 

Amei. E a única pessoa que amei, foi a única com a qual nada tive (e sim, sexualmente).

Amei, com cada fibra do meu ser, com toda a essência da minha alma.

Amei, para deixar-me disso e perceber que, tal como não o queria antes desse sentimento, não o quero agora. Digo, há muitos anos, repetindo sempre que este tema nasce numa qualquer conversa, num sitio qualquer, que nasci sozinho e sozinho morrerei.

(Às vezes, vejo fotos dos casais. Ouço histórias de relacionamentos, presentes ou passados, e fica a mágoa de nunca me ter permitido a isso. Depois, ergo a cabeça e faz mais sentido assim. A minha vida é só minha, o meu sentimento é só meu. Não há quem mereça, quem valha a pena.)

 

A noite já vai alta. A manhã aproxima-se rapidamente.

 

Tédio. 

 

O tédio é simples. Simples demais.

O tédio é apenas viver e respirar e andar e visitar velhos ou novos sítios. O tédio é companheiro. O tédio permanece comigo, pelas noites a sós, a fumar umas no meu quarto. O tédio vai comigo ao café, vai comigo à rua, vai comigo a todo o lado.

O tédio. O amante da minha eterna melancolia.

Estou no mundo errado. Estou na vida errada.

 

Poderia dizer que estou deprimido. Acontece que, não é depressão, senão inspiração. Inspiração em tantas coisas. Naquilo que quero e naquilo que não quero; inspiração tirada de existir sem querer e de sem querer ir vivendo; inspiração de uma voz que amo há muito tempo (afinal, há amor), das guitarras Portuguesas.

 

Neste momento, escrevo porque sim. Escrevo porque preciso de descarregar a alma.

Há algum tempo que eu digo que a minha ansiedade está pior. Os sinais de depressão estão mais fortes. As ânsias de mutilar-me são intermitentes. Adicionar novas cicatrizes, às cicatrizes já existentes. Perder o olhar no horizonte e ir. Ir espiritualmente, para longe, tão longe daqui, carregando comigo os meus demónios.

 

A noite já vai alta. Daqui a nada, nasce o dia.

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D