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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

02
Out17

Angústia e insegurança

Bruno

Continuo a ser o mesmo gajo inseguro, que era quando tinha 17 anos. Pensei que, uma vez nos 30, as coisas resolviam-se, eu punha os medos e as inseguranças de lado, seguiria em frente, estaria preparado para receber e dar amor, saberia lidar com as coisas mais fodidas da vida. Mas, adivinha?, não estou mais preparado, porra nenhuma!

Vejo, através das minhas redes sociais (tenho demasiadas, mas uso o Twitter com mais frequência), quando sigo e páro de seguir contas que me interessam num dia e deixam de interessar no outro. Vejo, através dos meus pensamentos, que não me abandonam, especialmente à noite, no silêncio e na escuridão, em que procuro razões para me agarrar à vida, tão ingrata e cheia de promessas vãs. 

Vejo, no Facebook, no Instagram, pessoas felizes, cheias de luz, de projectos realizados, enquanto eu aqui estou, a entrar numa segunda fase de experiência num novo trabalho, porque não me mexo o suficiente em horas de refeição; sonhos de arte destruídos pela depressão, pela preguiça, pela insegurança; o mesmo lugar comum, vezes e vezes sem conta, sem que o desespero e o sentimento suicida me abandonem.

Há tanta, tanta coisa.

Um amigo. Temos falado, porque ele apaixonou-se. Temos trocado palavras e tenho desabafado com ele, como há muito não fazia. Assumo os meus medos e as minhas inseguranças. Assumo que me comparo com outros, em que me assalta um sentimento de inferioridade. 

Um amigo que, entre as suas palavras, escuta os meus lamentos. Há muito que eu não permitia que tal acontecesse. Odeio que conheçam a minha parte mais frágil. Detesto que vejo as fissuras no cimento da minha alma - demorei anos a construir essa fortificação, que começa a ruir. Aos poucos, pedaços apodrecidos de cimento começam a cair.

Não me interessa o que possa acontecer.

Não tenho medo de ficar só - há muito que me chateiam com isto, como já escrevi vezes sem conta, mas não receio ficar só. Não receio, quando afirmo que nasci só é morrerei só. Não receio morrer.

Tenho receio de sentir. Receio que esses sentimentos tomem conta de mim, que não consiga controlar aquilo que sinto, que não consiga controlar os meus pensamentos, nem os meus desejos. Tenho medo de perder o controlo.

Há uns tempos atrás, antes de apagar a primeira versão deste Blog,  tinha escrito sobre o fetlife. O site que funciona como uma espécie de Facebook, orientado para o Sado-Masoquismo, Bondage e fetiches no geral, no qual estou inscrito. Não tiro nada dali, senão prazer visual, de pessoas reais, verdadeiras, que assumem como são e como sentem, num site que serve para deixar os julgamentos lá fora. Não tenho lá ido... e, mais uma vez, mina-me a confiança. Não a tenho, tal como, há muito que não tenho paciência. 

Há pouco, voltei a fazer o download do Tinder. Vocês sabem, aquela aplicação de engate - e nem me venham com merdas, aquilo é mesmo só engates. Não sei para quê - um, dois, três, vinte... todos recusados, mesmo que me estimulem visualmente. Para quê, então? 

Isto traz-me à memória algo em que pensei ontem, porque... quer dizer, não sou bonito, não sou especial... tenho tantos motivos para que me deixem de parte, mesmo que venha sempre alguém com uma historieta nova. Venham heterossexuais com desejos sabe-se lá de quê, porque não têm mais ninguém para os satisfazer - e eles regressam. Ó, como! - ou porque as mulheres / namoradas / amantes não lhes dão algumas das coisas que mais desejam; são vocês os mais seguros, porque há prazer para ambas as partes e não se estraga a amizade, nem se arriscam jogos de sentimentos. 

Mas, voltando ao meu ponto inicial, pensei que já recusei muita gente. Demasiados homens que fariam outros olhar duas ou três vezes, se é que deviassem o olhar, sequer. Como disse, não sou bonito, nada de especial, mas tenho a acutilante percepção de que, nas mãos de muitos, eu não passaria de um brinquedo, tal como poderia acabar por colocar os tais sentimentos em risco. Já recusei muita gente e, sinceramente, continuo a vê-los a passar, a olhar, a tentar ludibriar-me... continuo a renegá-los.

Estou, então, com trinta anos e sinto uma insegurança e uma angústia tão grandes, que não sei se alguma vez me livrarem delas. 

Escolhi escrever isto, esta noite, como se fossem as lágrimas que dançam nos meus olhos, mas que nunca permito que caiam, nem mesmo quando estou a solo. Ao invés de brincar com pornografia, devia estar a dormir, estou a escrever e a fumar um cigarro atrás do outro.

Acho que já vai sendo hora de dormir. Sim. Acordo daqui a nada, para iniciar mais um dia da jornada de bons dias e sorrisos, que não denunciam a minha angústia, nem angústia minha insegurança. 

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