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O fumo do meu cigarro

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Admiro

Janeiro 14, 2017

Bruno

Admiro a capacidade das pessoas de irem para festas ou para discotecas e de "irem a todas", de irem para aqui ou para ali, dançar em frente a quem seja, fazer jogos de charme. Admiro. Eu nunca fui assim, não serei assim - tenho antes por meu Fado, encostar-me num canto, curtir e sentir as coisas ao meu modo, observar tudo o que se passa. 

Não há muito tempo, fui beber café com uma amiga. Entre o café e a conversa, os meus olhos não paravam de olhar a rua, voltando à minha amiga, de seguida para a rua. Ganhei o hábito de nunca deixar de observar, excepto se me embrenhar no telemóvel, o que é raro actualmente. Falámos e ela disse que não é normal uma pessoa, a beber café com alguém, observar e julgar um vislumbre de um conhecido do outro lado da avenida. 

Admiro a capacidade que as pessoas têm de relacionar-se com as outras. Os amigos que tenho, têm sido afastados. Gosto de não ser obrigado a lidar com mais gente, do que aquela com que lido no café em que trabalho. Admiro a capacidade que as pessoas têm de desenvolver... Sentimentos... Sei lá, de amarem outras, para além da amizade, ao ponto de dividirem uma casa, uma cama, uma vida com elas... Sinto que amei uma vez. Tenho páginas e páginas de versos, escritos anos mais tarde, quando me perseguiam na rua, quando julguei que fossem matar-me. Estive perto de desenvolver sentimentos, amor ou o que fosse, uma outra vez. Felizmente, situações houveram que ditaram o afastamento. Digamos que sempre tive uma péssima maneira de lidar com sentimentos, que sempre tive dificuldade em reconhecer o que sentia. 

Admiro a justiça divina, o karma ou que caralhos queiram chamar-lhe. Admiro aquela força que, tempos mais tarde, coloca agressores e agredidos face a face, aquilo que faz com que os supostos mais fortes se encontrem em pé de igualdade com os supostos mais fracos, baixando, então, o olhar, para não enfrentar aqueles que tentaram forçar, ridicularizar ou o que fosse. 

Admiro quem tenha a capacidade de sentir as pessoas em plenitude. Admiro quem tem a capacidade de gostar sem condições, quem permite que os outros entrem nas suas vidas, sem "travões", sem impedimentos. Admiro quem aceita um abraço e sabe retribuí-lo. Eu não gosto muito (nada, mesmo) que me toquem - sou muito do género de poder dar um abraço, sem que me abracem de volta.

Admiro quem gosta e confia. E eu não confio em ninguém - tirem a minha mãe e a minha tia dessa equação. Há pessoas das quais gosto bastante, mas... Por muito que pareça triste, prefiro-me longe. Prefiro-me afastado. Tenho aprendido a ser só... Poderia ter escolhido tudo isto, mas foi nisto que a vida me tornou. 

 

(são seis da manhã, cheguei há pouco da festa do décimo aniversário do café onde trabalho algumas horas à noite.)

 

 

 

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