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A minha alma

Fevereiro 06, 2017

Bruno

A minha alma vem de algum recanto obscuro. Não sabe como aqui chegou, mas é na escuridão que se sente em casa.

As cidades pouco lhe dizem. A serra, aqui pertinho, é algo que muito a chama, mas a que ela pouco responde. Mais a norte, a aldeia e todo o verde, todo o céu azul, são os seus verdadeiros lugares.

As cidades pouco lhe dizem, mas ama-as e vagueia nelas, qual promiscua promessa de algo mais. Cheira a podridão, a morte e a urina a cada esquina, mas as arcadas do prédio excitam-na. Armazéns fechados à noite, cujas portas servem de paragem obrigatória para andamentos obscuros, trazem ao de cima o mais triste de si. Mas excita-se com isso, excita-se com as ruas frias e sujas das cidades, por muito pouco que lhe digam.

A minha alma vem de um qualquer recanto obscuro. Sem quê, nem porquê, vagueia na imensidão das ruas que nunca terminam. É uma sombra sob as luzes amarelo das e mecânicas da cidade. É uma sombra que atravessa o parque escuro, que sobe e desce as ruas várias vezes, sempre em busca de qualquer coisa mais, sempre em busca de uma sensação mais, de mais desejo, luxúria, de mais vida.

A minha alma vive, sem consciência. E não encontra o caminho para casa.

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