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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

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Melancolia

Julho 26, 2017

Bruno

( Antes que, quem conhece os meus outros blogs, fica aqui a resposta às vossas perguntas: sim, mantenho-os, tanto o do Angel Alucard, como As Crónicas Da Vítima. )

 

Durante a tarde, em casa da minha tia, à conversa com ela, acabámos por ver os velhos álbuns de fotografias. Recordei a Elizabeth, a minha amiga grega, num texto que, certa vez, escreveu sobre as pessoas nas velhas fotografias do seu (falecido) pai, que ela não sabia quem eram. Ficaram rostos marcados naqueles papéis, sorrisos, momentos... e, ao ver as velhas fotografias da minha tia, recordámos momentos, lugares, pessoas... e, pela primeira vez em muito tempo, disfarcei uma lágrima. Tanta gente, tantos momentos, tantos mortos.

 

Engraçado como, esta noite, pensei em ver o que deixei por ver de uma série. Vinha só à procura de uma música, partilhar no maldito Facebook, pela ansiedade de ir para a minha terra, a minha aldeia por Deus esquecida, o meu cantinho de paraíso. Ansiedade de ver os amigos que, se não for ali, não vejo de outra forma. Ansiedade de ver a minha amada aldeia, onde poderia ter um pouco de paz de espírito, já que, ser feliz, parece uma impossibilidade nesta vida. 

Um Fado puxa o outro, um pensamento puxa o outro, uma ideia puxa a outra é aqui fui ficando.

 

Dentro de uma semana, faço 30 anos. 30 anos muito sofridos, que me deixaram sem confiar em ninguém. Poderia fazer uma extensa lista de razões, a começar por traições, até chegar a coisas mínimas que os amigos fazem, insistem em fazê-lo, mesmo sabendo que eu detesto as coisas que estao a fazer ou em dizer o que eu detesto que estão a dizer. Talvez possam pensar que sejam "amigos", mas já não quero saber...

E, falar de 30 anos muito sofridos, é fodido - permitam-me lá a minha linguagem no MEU espaço. É fodido, porque alguém quer sempre competir, alguém quer sempre ser mais sofrido, ter uma vida mais fodida, ganhar a medalha numa competição que, só para começar, nem sequer começou (trocadilhos fodidos a estas horas).

 

Talvez eu devesse passar pelas pessoas e por estas coisas impávido e sereno. Talvez devesse começar a desprezar, tal como sou desprezado.

Talvez devesse tentar guardar os sentimentos, afogá-los. Já desistiram das conversas de relacionamentos e de amor comigo, porque sempre me mantive sozinho e não dou azo a que esse género de coisas entre na minha vida ou me afecte.

Talvez, face ao passado, o devesse deixar para trás. Não é o que dizem para fazermos? Mas e, então, aquelas pessoas que foram tão importantes para nós e que a morte levou de nós? Aquelas pessoas que não escolheram afastar-se? Esquecemo-las? Se me disserem que sim, sempre gostava de saber que drogas é que vocês tomam, porque eu não consigo.

Talvez eu devesse simplesmente estar a dormir. É tarde e música depressiva, desta vez um Doom Metal, não ajuda, ainda que deleite a minha alma angustiada.

Talvez...

...

Julho 16, 2017

Bruno

 Acho que fui despedido. E isso não me incomoda minimamente. Se for o caso, incomoda-me a maneira como está a ser feito.

Estou de folga. Acabo de chegar de Sintra e estou com uma grande moca. Não sei o que diga ou o que pense de tudo o que tem acontecido. Mas não me sinto mal. Fiz o máximo que pude, dei tudo, até me fartar. 

 

Devia estar a dormir. Estou a ouvir música. A fumar. 

Amanhã, é dia de descanso. Dia de aproveitar a minha mãe e a minha tia. 

Amanhã (mais logo) é um outro dia - certas convicções manter-se-ão iguais. E não perco nada por viver.

...

Julho 09, 2017

Bruno

Às vezes, sinto-me como se tivesse uma personalidade fragmentada. Sinto, por isso, essa necessidade de criar e destruir, criar depois de destruído, para destruir novamente. Mas alguma coisa se mantém linear. 

Posso até estar silencioso, mas estou vivo. 

Estou para descobrir como corre o resto do meu mês. As coisas são faladas, discutidas e colocadas em pratos limpos. Mais claro, não podia ser. Tal como ia decidido ontem a deixar o meu trabalho, se as coisas não corressem bem, estou decidido a sair em qualquer altura, se as coisas não melhorarem. 

Às vezes, sinto-me desconcertado. Sinto-me descoordenado. Mas depois pego o ritmo e fica tudo bem. Às vezes, não sei se gosto assim tanto de ser eu. E, também às vezes, sinto-me em paz comigo mesmo.

...

Julho 08, 2017

Bruno

Acredita que não sabes no que estás a meter-te. Acredita que não sabes com quem mexes. Pensas que és dono e senhor da zona. E se a zona é a minha, se tenho a gente do meu lado. Do mais jovem ao mais velho.

Podes não ter muito a perder. Eu não tenho nada.

Em breve, espero sair dali. Deixar de trabalhar nesse mesmo sitio, onde passei os últimos três anos. Porque três meses com uma gerência nova foram o suficiente para me esgotar. Porque há coisas que não se admitem, entre elas o levantar de acusações gravíssimas, entre elas o admitir que me repreendam por coisas que fazem dez vezes pior, sejam ou não patrões. 

 

Quem diria, que eu buscaría este propósito, de escrever neste canto para não explodir? Uma outra vez, para não ter a tentação de partilhar a minha insatisfação por escrito no meu Facebook.

 

E que mais? Eu não ia escrever apenas porque estou farto do café em que trabalho... quer dizer, não é do café, nem dos clientes, com alguns dos quais saio e mantenho-me na rua, com os quais criei boas amizades. Mas das gentes para quem trabalho, que estão a consumir a minha energia, a minha paciência e a minha boa vontade.

Contudo, não consigo desenvolver este pensamento para lá disto, do trabalho, daquelas pessoas de merda... nem em horas de descanso (devia estar a dormir, acordo daqui a três horas) eu desligo daquilo. 

Sinceramente, desde o princípio que me preparei para arranjar outro trabalho e vir embora. E, mais do que nunca, preciso de ver disso e passar à frente, a um outro sítio, a outras pessoas, a um outro lugar. Não receio o trabalho e sei o que faço. Sei que faço as coisas bem. E isso é um ponto a meu favor.

 

Queria escrever sobre a noite de névoa e de frio. Sobre as fumaças na rua, com os rapazes e com as raparigas. Queria escrever sobre tantas coisas. As coisas que fazem bem, que me sabem bem. Mas estou sufocado com tanta merda, que quase não faz sentido e que não sai nada de jeito. Acho que vale a pena testar e tentar as teorias dessa jovem rapariga, de desenhar outra vez e esquecer as minhas reservas totais.

 

Tenho que esquecer. E virar costas às coisas e às gentes que me fazem mal. No fim de contas, safo muito mais esses gajos, do que eles me safam a mim.

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