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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

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Até já

Maio 11, 2017

Bruno

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Uma semana passou-se. As buscas foram suspensas. Não houveram mais notícias. 

Há dois dias atrás, começou a ouvir-se falar de uma missa e de uma homenagem na praia. Não houve missa, mas a homenagem teve uma participação imprevista: a escola de surf estava na água, cederam espaço e abriram um corredor com pranchas. 

Não quero entrar em detalhes desnecessários. Agradeço, em nome de todos, à escola e aos seus alunos. Agradeço o vosso respeito, a vossa improvisada homenagem, tudo.

Lentamente, retomamos as nossas vidas. Lentamente, os dias tornam-se normais. A tua ausência torna-se "normal"... ainda permanece aquela angústia, aquela mágoa de não saber de nada, de não te termos por perto, de não podermos encerrar isto definitivamente. Sabes, muitos dizem que querias ver-nos felizes, como tentavas ter todos bem à tua volta, que quererias ver-nos bem, a viver a nossa vida, a dar o melhor de nós. Muitos deles acreditam nisso. Eu acredito que ontem andaste junto de alguns de nós. Dói essa ausência, Paulinho... a angústia torna-se maior, porque... porque, como já o disse, não podemos pôr um ponto final nisso, mas também temos que pensar nele, que também lá ia ficando e que está completamente devastado. Temos que cuidar dele, uns dos outros, de nós. Temos que ser uns pelos outros.

Queria deixar umas palavras quaisquer. Sentidas, bonitas, do maior sentido poético, mas não há nada de poético nisto. E, ao mesmo tempo, insistindo no mesmo, também não há nada de definitivo. Queria deixar-te umas palavras bonitas, algo que pudesse soar a uma despedida, que não estou pronto a fazer, mas que denotasse o imenso orgulho que é ter-te tido na minha vida (nas nossas vidas), o imenso carinho e a imensa ternura com que guardo esses momentos felizes, engraçados que tivemos todos. Mas só consigo pensar que tenho (temos) imensas saudades tuas e que nos fazes muita falta. Ainda espero ver-te entrar no café, fazer aquela esquina, ver o teu sorriso, ouvir a tua voz.

Fazes-no tanta falta, Paulinho... até já...

Dois dias depois...

Maio 06, 2017

Bruno

Dois dias já se passaram. E esse sorriso não voltou para nós. 

Pensei que estava doido. Que era o único que esperava que fossem encontrar-te vivo. Mas vejo que há muito mais gente à espera disso.

Queria que soubesses o quanto gosto de ti. Conheci-te como cliente do café em que trabalho. Ali, aprendi a conhecer-te e a conhecer quem se dava contigo. Ali, fora dali, aprender a gostar de vocês e sempre gostei de ti. Há dois dias, o mar levou-te. Hoje, o messenger do teu Facebook apareceu online. Ontem, tive que dar a notícia a um dos teus amigos. Hoje, ainda quero acreditar que apareces com vida, para junto de nós. Talvez venhas com o sorriso típico, as tuas frases típicas, a dizer que estavas a gozar connosco este tempo todo.

Dois dias já se passaram. Mais calma. Mas não menos sofrimento, mas não menos o sentido de impotência. Impotência perante o que se passa contigo, impotência perante a possibilidade de ajudar os outros com a sua dor. Impotência que se transforma em frustração, especialmente quando sinto que há pessoas que se sentem "atacadas" quando lhes digo que estou aqui, para o que precisarem, à hora que precisarem. 

Isto, lembra-me de ti, mais uma vez: na outra manhã, depois daquelas noitadas com o Dário, ligaste-me às seis e meia da manhã, para eu abrir o café, porque sabias que eu acordava àquela hora. Sabias que não importa a hora, podem ligar para o meu telemóvel, que está sempre ligado para vocês. Fui ter convosco, ajudaram-me a montar tudo. Foram curtir um joguinho de setas, enquanto eu preparei algo para vocês confortarem o estômago. 

Queria que o meu telemóvel tocasse daqui a duas horas, contigo a pedir que abrisse o café. Queria entrar no café à tarde e encontrar-te, rodeado das pessoas. Queria que tudo isto não passasse de um pesadelo.

Dois dias passaram-se. E esperança esmorece lentamente, enquanto sonho com a possibilidade do teu regresso, a rir, sempre a rir, sem que tudo passasse de uma brincadeira estúpida. 

Fazes-me falta. Fazes-nos tanta falta.

Há sorrisos que vão além da cara

Maio 04, 2017

Bruno

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Ontem à tarde, o mar da Foz do Lizandro levou uma pessoa. Acontece, que essa pessoa é o amigo de alguém, o amor de alguém, o filho de alguém. Acontece, que o Paulinho está desaparecido, que nós estamos a chorar um desaparecimento, uma morte "quase" certa.

Há três anos, comecei a trabalhar no café que frequentei desde o fim da minha adolescência. Aí, conheci o Paulinho e o seu grupo de amigos, bem como outros grupos de amigos que se foram juntando, pelos quais ganhei uma imensa amizade, um carinho muito profundo. Entre eles, estava o Paulinho - um rapaz espectacular, que sorria sempre, com um daqueles sorrisos especiais: o sorriso do Paulinho ia além do rosto, rasgava-se desde a alma.

Ontem, o mar levou uma pessoa especial para muitos. 

Temos a tua imagem presente, meu querido amigo. Sentimos a tua falta. Queremos acreditar num milagre, mas e se o milagre não vier? E se, mesmo tu, não vieres?

Que saudades.

Há sorrisos que vão além da cara. Rasgam-se desde a alma. E o teu, estará sempre connosco.

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