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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

...

Março 28, 2017

Bruno

Acredita-me: não é preciso muito para me despertar interesse. Não é preciso muito para que goste. Não é preciso muito para que as coisas sejam... Vida. 

Menos ainda, é necessário para que perca o interesse. Menos ainda, menos que l acender de um sentimento, para que vire costas e abandone tudo. Menos ainda, que um olhar, é preciso, para que me largue de ti, de mim, para que deixe ir, sem remorso, aquilo que muitos diriam ser uma razão para a felicidade.

Olho agora o vazio da sala e escuto a música. A música que gosto, a voz que amo e que tanto me diz. Há incertezas no caminho em frente, mas esse caminho começa já por ser feito apenas por mim. Para trás, ficarão alguns, gentes, anos, sorrisos, mortes. 

Preciso de saber e de confiar - e já não falo das mesmas coisas. 

Quisesse eu manter a constância. E teria um pouco mais de sossego. 

No próximo sábado

Março 27, 2017

Bruno

Sei que ainda é cedo, na segunda-feira, mas tenho que falar do próximo sábado. O próximo sábado, dia 1 de Abril, dia das mentiras, mas o que se aproxima não é mentira nenhuma: o café muda mesmo de gerência no próximo sábado. 

Puseram o café para trespasse, conseguiram trespassá-lo, comigo incluído, para dar formação ao novo patrão e para manter a clientela por lá. Tenho percebido várias coisas, nestes últimos dias, tais como que "e se...?" também serve para o futuro e que a minha influência naquela casa, onde trabalho há 3 anos, onde parei nos últimos 10, é grande o bastante, para que me queiram manter, para que quem sai diz que a um estalar de dedos e levo os clientes comigo, para ver que a rapaziada está a fazer um burburinho imenso com esta mudança, ao ponto de dizerem que só serão atendidos por mim (inicialmente acredito).

E quando se fala dos "e se...?", perguntam-se várias coisas: e se ele mudar aquilo que ali temos?; e se ele der para parvo?; e se ele quiser aprender comigo, livrando-se de mim depois? (Os rapazes falaram nisso); e se tantas coisas mais? E se...?

Não podemos preocupar-nos antecipadamente. Não devemos. É ver quem é aquela pessoa, que agora tem aquilo, que quer ele fazer daquilo, como quer ele gerir aquilo. Dentro do que sei, do que conheço dali, apontar-lhe os maiores erros, as maiores falhas, os maiores problemas, tentar resolvê-los no que for possível e continuar a fazer o bom trabalho que foi sendo feito ali, elevando o pouco que tentei e fui conseguindo fazer de bom.

Neste sábado, que se aproxima a galope, muda a gerência do café. Ainda esta semana, devo ter uma conversa com o novo patrão, que parece precisar muito mais de mim, do que inicialmente qualquer um de nós pensou.

E se não correr bem? Tentámos e eu dei o meu melhor - tenho amor àquele sitio e tenho muita estima por alguns clientes, que se foram tornando amigos. Rapazes mais novos, que são das melhores e mais genuínas almas que conheci - o mais novo tem 16 anos e já consegui sentir que tive aquela influência de fazê-lo entrar no ginásio e espero conseguir que volte a estudar - almas que valem a pena ter por perto e não se fala na relação comercial de empregado de café e clientes, mas de pessoa para pessoas.

 

Famoso?

Março 25, 2017

Bruno

Quando fui atender duas das raparigas que vão ao café, uma delas diz-me para não me ir embora: descobriu os meus vídeos no YouTube (este é um desses exemplos) e disse-me que não sabia que eu "era famoso no YouTube". Elogiou o trabalho e as velhas fotografias que aparecem em vários vídeos, daquele minha fase de gótico extremo.

Obrigado, Diana, pelo sorriso e pelas tuas palavras. 

Mudanças

Março 17, 2017

Bruno

Já não tenho qualquer certeza do que disse ou não disse. Daquele texto que escrevi, face à uma tristeza e a uma mudança na minha vida, para muito breve: no fim deste mês, o café em que parei nos últimos dez anos, no qual tenho trabalhado nos últimos três (ou quase), vai mudar de gerência. Foi feito um trespasse, fazendo, assim, com que eu já não seja cliente das mesmas pessoas, nem sequer seu funcionário. 

Ainda que toda esta mudança esteja a ser processada lentamente, ainda que possa vir a ser algo bastante positivo, não está a ser fácil. 

As palavras têm-me falhado ultimamente. Não sei dizer ou escrever aquilo que sinto, porque não sei bem o que sinto. Uma espécie de nostalgia, misturada com melancolia, esfumaçadas em cigarros em exagero. São sorrisos regados de tristeza, dias de sol que parecem frios, piadas das quais me rio, sem vontade de outrora.

As mudanças nunca são fáceis: esta mudança será no meu local de trabalho actual, pelo que serei dos que sentirá mais os efeitos nefastos que ela provocará; senti-la-ei através dos rapazes e dos miúdos que param no café, que atendo e com quem me dou fora dali, que sentirão a alteração nas coisas.

A partir do dia 1 de Abril, sem que seja qualquer mentira, não haverá mais aquele ambiente já familiar, ainda que os clientes, à partida, se mantenham, ainda que as amizades que ali foram sendo criadas ao longo de dez anos, se mantenham... mas não haverá mais nada que sejamos nós, como fomos até essa data, que se aproxima demasiado depressa.

Não devia sofrer por antecipação. E não quero fazê-lo, daí escrever... Escrever bastante e quase sem qualquer sentido. Tal como tenho dito, não conheço as pessoas que para ali vão, não sei como querem lidar com aquilo, nem quanto tempo pretendem manter-me por ali, de modo que vou deixar as coisas correr, ver o que é e o que não é. Vou preparar a minha eventual futura saída ou falta de perspectiva futura, arriscando-me a levar comigo, os que ali se manterão depois de toda esta mudança. 

Tristeza - um final?

Março 14, 2017

Bruno

Como escrever sobre estas coisas? Como ir ao fundo da nossa sensibilidade e agarrar com força aquilo que nos entristece e magoa? Como beijar aquilo que nos fere?

Não há certezas, mas eu já o sabia. Bem no fundo do meu coração, sabia-o desde o primeiro momento, desde o momento em que, em desconfiança, o meu instinto fez-me pesquisar nomes.

Não há certezas, mas abandonam-se, agora, dez anos da vida. Despem-se, como uma pele que já não nos serve, que se deixa para trás, perante o nosso inevitável crescimento. Assim se separam os caminhos, assim se sabe que algo de novo pode acontecer.

Nunca fui bom com despedidas. Nunca fui bom a aceitar despedidas, separações, ainda que esta seja apenas mais uma. A minha vida tem sido feita disto: separações, afastamentos. Mas não me habituei.

Não escrevo nada específico, pelo silêncio que me pediste por enquanto... é porque é sempre um risco que alguém me leia, me veja a foto e perceba do que falo. Só preciso deste desabafo, para lidar com a tristeza que se alojou no meu coração, há uma hora atrás, quando me falaste daquilo que mais receei nos últimos tempos.

...

Março 12, 2017

Bruno

Procuro entender. Sei-me de cor.

Não há hora que não seja consumida por alguma ansiedade. Não há esquina que não seja ocupada pela minha estranha presença. 

Eu sou. Mais. Maior.

Gosto. Gente. Almas puras.

Há dias em que o desespero é tanto, que não sei aquilo que escrever. Há dias em que o sentimento é tanto, bom, que não sei como descrever.

Leitores que não me fazem falta alguma

Março 10, 2017

Bruno

Como é que posso escrever as coisas que vão dentro de mim, se nem eu as entendo, se nem eu as consigo acompanhar? Como é que posso escrever aquilo de que não falo, se não consigo atingir um entendimento dessas mesmas coisas?

Devo dizer que não sinto falta de análises ao meu jeito de escrever, à minha forma de viver. Aceito que comentem o que escrevo, aqui ou ali, aceito que dêem a sua opinião sobre o que leram, que dêem impressões sobre o que sentiram ou retiraram dos textos em questão, mas admito que há leitores que não fazem grande falta, especialmente quando insistem que acham que a forma como vivo a minha vida é errada - assim não tenho conversas. Não tenho que falar do que me dói, não tenho que explicar porque me sinto triste ou em baixo.

"Antes, chorávamos para chamar a atenção. Agora, choramos baixinho para não ter que explicar o motivo!" 

Uma das melhores e mais verdadeiras frases que já li. Acho que, de certo modo, o facto de não ter que explicar o por que é que escrevo aquilo que escrevo, é que faz com que me vire para a escrita, ao invés de procurar alguém com quem falar. Se bem que, quando desenhava, sentia-me muito mais "limpo", muito mais purgado... sei lá, nem interessa já. Há muito que não desenho, especialmente com aquela frequência com que o fazia. Admito que me faz muita falta, mas simplesmente foi ficando de parte... e ficou uma parte muitíssimo importante de mim posta de lado.

Por isso mesmo, quando pensei nos meus leitores, aqui ou ali, lembrei-me que há pessoas que, por muito que parecesse uma boa ideia ao princípio, não me tem feito grande falta. E, talvez, eu não faça falta na vida delas - ou talvez me leiam secretamente, tentando regozijar-se com os meus momentos de dolorosa lucidez, em que percebo tudo aquilo que se passa à minha volta, escolhendo afastar-me, escolhendo dar os meus passos pela penumbra dos espaços, para que não me notem, para que não me vejam, para que não me sintam.

É por isso que, leitores que tentam refutar o meu estilo de vida, refutar as minhas escolhas de vida, as minhas escolhas sentimentais (ou a escolha da falta de vida sentimental), leitores que tentam debater e rebater aquilo que eu acho mais apropiado à minha vida, não me fazem a mínima falta!

25°C

Março 09, 2017

Bruno

Nada.

Nada como estes dias quentes. Dias que tornam a escuridão dentro da minha alma mais pequena. Como se apenas uma noite de tormenta se tivesse passado e, de manhã, fosse um dia esplendoroso cheio de promessas.

Nada como pornografia barata, cigarros e a imagem do teu olhar. O fantasiar com o teu gemido, enquanto me respiras no pescoço. Nada como as ruas do ghetto para que me sinta vivo, nem como as promessas vazias, que abraçamos como se fossem um imenso tesouro. Nada como sorrisos infantis, em meninos homens, que sabem o apreço que um tem por si, que fazem por ter quem lhes gosta por perto - e se nada fizer sentido, sorriem.

Nada como a fantasia mais suja e mais selvagem, nem como a promessa de mais um dia, para que se desapareça a marca da dor. Até regressar. E, até então, vivemos como se fosse o último dia.

...

Março 08, 2017

Bruno

Não vale a pena fugir do que somos. Não vale a pena tentar mudar para satisfazer outros. 

Não vale a pena procurar uma outra ruela: há ruas que nos tomam como suas e que tomamos como nossas. Olhamos por cima do ombro, mas mesmo os mais perigosos conhecem-nos.

Não vou andar a divagar sobre sentimentos lúgubres. Não andarei perdido por mágoas. Não esta noite, em que o nevoeiro engole a cidade.

Não sei o que diz o teu olhar. Não sei o que diz o teu sorriso. Não sei o que diz o teu jeito de falar-me. Nem sei se diz algo de especial, nem mesmo a tua estranha felicidade por fumares uma ganza comigo pela primeira vez, em alguns anos que nos conhecemos. Seja como for, não estou disposto a tentar decifrar um código qualquer, que, muito provavelmente, não existe sequer.

Não irei em busca de um impossível. Não irei em busca das areias do meu deserto amado e fantasiado. Não irei em busca de mim, com gestos traçados pelo ar.

Hoje, esta noite, vou ficar somente a sentir a música. Daqui a pouco, tenho que deitar-me. Em poucas horas, levanto-me. Em poucas horas, o que não acontecia há uns tempos, toma forma. O começo de uma mudança, há muito ansiada.

Não vou, simplesmente, prender-me às ilusões. Não vou falar das minhas mágoas. Não, aqui.

Vou simplesmente aproveitar a minha "viagem", sem quês, sem porquês. Simplesmente, sentir.

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