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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

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Não sei que diga, não sei que sinto

Fevereiro 28, 2017

Bruno

Filhos da treva.

Esqueci-me há muito do que significa depender do apoio emocional de outrém para manter-me à tona. 

Face ao desdém, há muito que me desistiram. Não tenho fragilidades a oferecer, como se pudessem oferecer-me um qualquer bálsamo. A pouca fragilidade que demonstro, é descartada com um sorriso e um "isto passa". E cada um de nós segue o seu caminho, como se nunca aquilo tivesse existido.

Filho da melancolia.

Liga-me a minha amiga, para saber que tal me encontro. Um "vai-se indo" seria insuficiente. "Está tudo bem" e morre ali qualquer hipotético pedido de ajuda - eu não sei que vos diga; em mim, a imensa fragilidade é mascarada. Não há razões para a exteriorizar, mantemos os outros longe e satisfazemos as nossas almas com um pouco mais de tóxica solidão. Beijamos a boca da noite, com gosto a drogas e a cinza, com gosto de rua e de perigo, dançamos com o diabo, no silêncio da nossa sala.

 

Olho ao longe e tentam adivinhar a melancolia que tenho vindo a sentir. "Tão pensativo" e não sei o que estou a sentir.

 

Não sei que há que diga, que há que descreva. Terei um outro dia. Um outro dia.

Hoje, não.

Reconheço que não tenho andado bem

Fevereiro 28, 2017

Bruno

Reconheço que não tenho andado bem.

O meu humor tem-se alterado drasticamente. O meu estado tem sido depressivo. A vontade de fugir ou desaparecer tem sido imensa. Velhos pecados têm parecido tentadores. E reconheço que não tenho andado bem. De todo.

Procuro sei lá o quê, em que caminhos, em que gente. E não me frustra não encontrá-lo, mas saber que estou a procurar no sitio errado. Seja o que for, estou à procura no sitio errado. 

Sinto-me em baixo. Sinto-me terrivelmente triste. E não consigo combatê-lo. 

Escrevo, para tentar aliviar-me e não faz qualquer sentido. Escrevo, tal como se falasse sozinho. Deixo fluir e não importa mais nada. Mas porque é que não faz qualquer sentido?

Não sei se será boa hora para pedir opiniões ou para falar com quem quer que seja. Não sei se será boa ideia: há pouco deixei escapar um pouco do meu naufrágio pessoal, mas já me arrependi.

Amanhã é um novo dia.

Entretanto, volto para o meu Tumblr.

Sentir

Fevereiro 27, 2017

Bruno

É muito fácil fantasiar e imaginar que possam sentir amor por mim.

É muito facil fantasiar e imaginar noites de carro, sorrisos, toques, olhares.

É muito fácil divagar e atingir um ponto de loucura.

Depois, é mais fácil arrastar-me à luz da melancolia. É muito mais fácil e muito mais familiar, envolver-me no xaile da melancolia, da nostalgia de outros tempos, da saudade de gente ida... da saudade de tempos idos...

Muitos não entendem os meus súbitos suspiros. Não entendem o meu olhar perdido no horizonte. Não sabem o que queima dentro da minha alma. Não sabem que, antes do amor às pessoas e a uma liberdade, vem o amor ao meu país e à saudade, não sabem que eu sou... sou o triste dos mais tristes, sem grandes alegrias, sem ter grandes motivos para rir. E eu rio. Rio muito. Gracejo bastante. Mas não é o que sinto.

E sentir foi das piores maldições que me impuseram. 

Amor, tequila, limao e sal

Fevereiro 26, 2017

Bruno

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Muito se fala de amores e desamores. Muito se fala de bem e mal querer. Muito se fala desse mesmo sentimento, de viver uma dessas coisas, uma paixão imensa, violenta, como uma febre de verão, que se torna num desses sentimentos arrebatadores, chamado de amor.

Tenho quase 30 anos (foda-se, até me dói!), NUNCA tive uma relação séria. Não digo que nunca gostei de ninguém, mas convenhamos que escolhi o destinatário errado para o sentimento ("ninguém escolhe as pessoas de quem gosta. Gosta-se e pronto!" Ana Padrão, no filme "Amo-te Teresa"). Durante o tempo da minha adolescência, o amor, uma relação eram as coisas pelas quais eu tinha uma espécie de obsessão. Era um dos expoentes máximos da minha vida, o que queria atingir sabe-se lá para quê. 

Actualmente, sem dar demasiada conversa sobre isto, evito os sentimentos ao máximo (não me venham com a velha conversa de que há-de acontecer quando menos esperar, sem que consiga controlar), evito lidar demasiado com pessoas pelas quais exista a mínima hipótese de desenvolver um qualquer sentimento que se assemelhe a essa coisa. Recordo a última conversa deste género, com uma grande amiga, que me perguntava: "então, puta, quando é que arranjas alguém?" Quando lhe disse que não queria, que não precisava de ninguém, ela disse que eu dizia aquilo agora, mas mais tarde... claro que não irei mudar de ideias mais tarde, como já lhe disse, pois há anos que digo o mesmo, que sigo o mesmo trilho, tendo nas pessoas, com quem me relaciono sexualmente, as minhas presas, com o único e exclusivo intuito de "alimentar-me" e satisfazer-me.

Sinceramente, não sei porque é que as pessoas acham que estar sozinho é mau e assustador. Assusta-me muito mais estar com alguém e sentir-me sozinho, assim como estou no meio da multidão e sinto-me sozinho. Contudo, quando saio sozinho, quando vou ao Bairro beber Tequila ou sangria, na minha própria companhia, são as alturas em que me sinto melhor, mais seguro, mais eu...

Não deixo de achar querido o namoro de uns miúdos que conheço do meu café, de achar maravilhoso o relacionamento explosivo de duas amigas minhas, nao condeno o empenho que as pessoas colocam numa relação, pelo amor que sentem. Mas não quero isso para mim.

 

Este texto está a ser escrito devido a um futuro encontro com a amiga que menciono, sabendo o que ela dirá e perguntará.

Escrever para me abandonar de pensamentos

Fevereiro 23, 2017

Bruno

O texto ia longo e sem sabor.

O texto ia longo e sem ritmo. Sem embalo.

O texto ia a um propósito, que poderá ser discutido na febre desta música, ao sabor de um cigarro, fumado do alto da minha janela. 

O texto talvez não interessasse. Não na forma em que estava a ser escrito. 

 

Esquece. Esquece o texto que ia. O texto que foi. E eu esqueço. Tudo.

Digno-me a pensar um afastamento antecipado. Não vale o risco, com a desilusão invariável. Nao; não me interpretes mal, não me desiludi. Mas acabará por acontecer, inevitavelmente. É sempre assim. Fecho-me no meu deserto interior.

Atrás de mim, fecho una porta secreta, de onde caminharei pelos séculos, pelas areias desse deserto. Assim, deixo para trás qualquer réstia de sonho, de verdade, de afirmação. Deixo para trás qualquer traço do meu olhar, qualquer sombra da minha existência. 

 

Não interessa que ritmo as coisas tomem. Não importam os ritos pessoais de cada um. Não importam as velas acesas em catedrais. Não importam as coisas vãs, que muito consideram os momentos altos de um dia: o ritmo dos passos, os abraços,  os olhares trocados. Nada disso importa, senão para os versos.

Olho o espaço da sala. A luz preenche-a e a televisão está silenciada, inutilmente ligada.

Os meus pensamentos correm por entre pessoas. Por entre ruas. E espelho, na hora que vai passando, uma ânsia igual à de tantas outras horas, sobre eles que andam por aí, sobre alguém que é e não é, sobre alguém que passa e deseja-se, sobre alguém que nem existe. 

Escrevo, porque sinto-me estrangulado pelos pensamentos, que insistem em manter-se. E mais me vale escrever. Mais me vale abandonar estas coisas às palavras, visto que não mudam. As coisas não mudam. 

...

Fevereiro 21, 2017

Bruno

Sabe-se lá. Quer-se lá saber.

Sombras serão sempre sombras, não interessa quanta luz se derrame nelas. Pois enquanto existir luz, existirão sempre sombras. E a sombra ama a luz, porque vive graças a ela; a luz ama a sombra, pois é a sua certeira filha.

Qual é a maldição deste mundo? Qual é o diabólico plano desta existência? Passa amor, amor verdadeiro, afeição imensa, desejos de abraços, mas deixamo-nos levar pela infâmia da destruição. Passa o desejo da paz, mas abraçamos a ideia da guerra. Insistimos naquela receita falhada. Apenas porque, os nossos objectivos mudaram com o mudar dos tempos. Antes, quisemos firmar o nosso território, mas já queremos o que é do outro. Esquecemos que este é um jogo que nunca terminará. E deixamos fugir o amor. O amor dos homens, entre os homens, acusando um Deus que não tem culpa nenhuma da nossa perversão.

 

Hoje, enquanto trabalhava no café, não sei porquê, pensei na minha aversão às pessoas. E não sei bem o que pensei, mas... (sim, notem essa ironia - averso a pessoas, trabalho num café) penso que o meu pensamento roçou o facto de que, eu até gosto das pessoas. Nem todos somos iguais aos que cometeram, cometem ou cometerão erros imensos, fazem coisas atrozes. Mas... é tão mais fácil mantermo-nos à margem da maioria das pessoas. Ou talvez seja eu, que não saiba muito bem lidar com elas.

 

Porquê estes meus sentimentos? Porquê estes pensamentos? 

 

Não sei por que andam a assombrar-me estas questões. E não sei porquê começo a sentir o aconchego de alguma iluminação... não consigo compreender...

 

Esqueçam lá isto...

 

...

Fevereiro 20, 2017

Bruno

Conheço a voz. Já ouvi o que dizias antes e o jeito de expressão não me agradava tanto, mas... todos mudamos, não é verdade?

De tempos a tempos, lá vou eu, pelos insondáveis caminhos da descoberta. A descoberta da música, a descoberta de sentimentos, emoções (e talvez tenhas razão, a minha alma não será tão fechada quanto eu afirmo). De tempos a tempos, vozes e estilos misturam-se. Separam-se. Encontram-se, novamente, os caminhos que antes não se uniram. Unem-se, sabe-se lá por quanto tempo. E dessa união, surgem frutos: obsessão. Quietude na escuridão. Lágrimas que escorrem timidamente pela cara, que nem a sós eu gosto de chorar. 

Conheço a voz. E sei que amo. Amo essa voz. Amo. Não sei quem. Não sei o quê. Mas amo. E com força, com toda a minha força, vejo os meus amores esmorecerem, sucumbirem. Desaparecem pelo tempo. Desaparecem pela vida. Até ao dia, em que eu me tornar esquecimento.

Procura

Fevereiro 18, 2017

Bruno

Perdi o rasto ao que procurava. Perdi o caminho que tomava. Perdi os gestos que tracei pelo ar, em noites de ócio, em noites de puro lamento.

Perdi. Tudo. Todos. 

As noites tornaram-se mais escuros. Obscureceu o meu olhar. Torna-se parte de uma vigilância, a vigilância que faço do meu caminho, que durará enquanto viver, trazida como herança das minhas noites da rua.

A minha procura tornou-se mais. Suave é a noite gélida, que me abraça com o frio que me oferece. Os corredores de uma catedral, onde me comeram, canibais, onde me desfizeram, deixando-me sem um pingo de decência. Fui tornado monstro, em eterna busca de paz. Os corredores de uma catedral, onde morreu a minha dignidade, onde caminhei séculos sem fim. Lá em cima, perdido no cosmos, nas estrelas que brilham (alma humana, eternas), está toda a minha essência. Lá em cima e em cada réstia da minha essência, está tudo quanto ambiciono, sem saber que ambiciono, porque ambiciono.

A minha procura tornou-se algo. E defino nesta imensa decadência. 

Falo tanto de uma procura. Não me perguntem o que tanto procuro, pois também não sei.

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