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O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

O fumo do meu cigarro

Apenas um outro blog

Nem tudo é poesia

Junho 30, 2016

Bruno

Nem tudo é feito de belas palavras. Nem tudo são as flores. Nem tudo são as matas. Nrm tudo são dias de sol e praia. 

Há verdade mais crua. E essa crueza exige um outro tratamento. Talvez por isso, pondere na criação de um outro blog separado - nem tudo é para ser misturado com belas palavras. A crueza do desejo, as coisas mais puras e animalescas devem ter o seu próprio altar. 

 

Tenho que dar descanso a um velho blog. Tenho que "parir" uma outra "criança". Nos braços, embalarei uma outra boneca, enquanto, por tempo indeterminado, colocarei a mais antiga de lado. 

 

Isto é o que faz de mim aquilo que sou. 

Não pretendo agradar a ninguém, senão a mim mesmo. 

Procuro outras paragens. 

Procuro outros nomes. 

Procuro contar outras histórias, reais ou inventadas num instante de desejo e tesão. 

 

Não há poesia mais bela, do que aquela qie se vive. Ainda que seja, de certo modo, pornográfica. 

Loucura

Junho 27, 2016

Bruno

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As palavras deveriam fluir. Tinha ideias. 

Nada como a leitura e um telefonema, para arruinar o esboço mental das frases a serem depositadas aqui. 

 

Não exijo demais. 

Não peço nada. 

Habituei-me aos meus caminhos solitários, entre ruas chuvosas do Inverno ou quentes do Verão. 

Há mundo. Há vida. Há toda uma imensidão de coisas a fazer. 

E eu já não sei o que faço. 

 

Mais uma carta. 

Esse correspondente estranho, que nem correspondente é, porque não recebe resposta, enviou-me outra carta. 

Ao longo dos anos, lembrei-me de deitar tudo fora. Tudo! 

O que chegava e eu rasgava sem ler. 

Desde que eu deixei de responder, esqueci o endereço, que não vem nos envelopes, nem nas cartas. Até há uns dias. 

Agora, mesmo sem ler, vou guardando as finas cartas, em envelopes feitos de folhas de desenho, colados a toda a volta. Algumas, são colagens de palavras e frases, cortadas de revistas e de jornais, numa "cirurgia estética", que recorda as cartas anónimas de ameaça, dos filmes. Aos poucos, colecciono essas cartas, para ler um dia qualquer. Algumas, talvez sejam fotografadas e publicadas - aqui ou em qualquer outro blog em que escreva. 

Tento imaginar a estranha criatura por detrás dessas cartas. Para mim, mantém uma imagem inalterada, de "boneco americano", que faz orgias com um certo grupo, cujos nomes não mudam. A verdade, é que ele deve ser um velho, a masturbar-se constantemente, perdido nas suas imensas fantasias. 

Um dia, relerei essas cartas e, só então, decidirei o que faço. 

 

A cidade reveste-se de estranheza. As pessoas estão estranhas - os seus desejos, os seus comportamentos. Nem eu me controlo. 

 

Câmaras de vigilância. Vistas superficiais da realidade. 

Quem verá a realidade? 

Cubículos sujos e pestilentos. 

Cheiro a suor, a sexo, a vida consumida. 

 

Não sei o que sinto. Não sei o que quero dizer. 

Observo e absorvo - o que posso dizer?

Junho 26, 2016

Bruno

O que posso dizer disto? De tudo quanto a vida traz? 

O que posso dizer dos meus olhares quase furtivos?

O que posso dizer do que me assalta o pensamento? 

O que posso dizer das conversas de todas as noites? Do caminho sexual que tomam? 

O que posso dizer da malícia que pressinto no que ele diz? E o outro? E outro, ainda? 

 

Fico no meu canto. Misturo-me com eles. Observo-os. Absorvo-os. Saboreio a sua juventude, do meu trono destruído. 

Sorrio maliciosamente. 

 

Entendo. Entendem. 

Somos. 

 

Sem sentido, a vida que teima em seguir rumos estranhos. 

Sem sentido, as palavras que solto. Enigmas. 

Mal sei o que imaginam. 

Mal sabem o que imagino. 

 

Recosto-me na porta do prédio. Inalo o fumo, enquanto os absorvo, aos meus sentidos. As verdades da vida. As mentiras da existência. 

Recosto-me e inalo o ar da cidade. 

 

O que posso dizer da minha loucura e dos meus anseios? 

Amor de mel, amor de fel

Junho 22, 2016

Bruno

Sabes o que é? Como é? Imaginas cono é querer, desejar, ambicionar tanto o amor de alguém, que o teu próprio amor consome-te? 

Sabes a que sabe o calor do verão? O frio do inverno? O asfalto da estrada da minha terra, igual a tantas outras? Como a morte acena, sorridente, do fundo dos campos? O quanto dói a balada do sino, anunciando outro funeral? Sabes, meu amor? 

Sabes o que doem anos de sofrimento, de desejo, de anseio, de versos sofridos, paridos entre agonias tamanhas? Sabes ao que sabe a mágoa do desejo, do sentimento infecundo, da frustração da ausência e da distância, para que, agora, reapareças, dês toda a atenção, quando estás ali, que sempre ambicionei, mesmo que eu saiba que não passa de desejo? 

A tua mulher? E o teu filho? 

Eu sou uma terra estéril de sentimento, desde que, como um furacão, atravessaste os meus vales! 

Eu sou aquele que tudo ambicionou e, pela mesma ambição, julgou-se enorme. Por todo o sentimento, em espasmos de versos inúteis, sentiu um orgulho imenso. Sou aquele que poderia ser tudo e... Olha bem para mim. Não sou nada. 

 

Há aqueles que desejei - agora desprezo-os, quando, em jeito de brincadeira, se insinuam. 

Há aqueles que eu desprezava - manias de gangsters nunca foram comigo e são esses, mais perigosos, que desejo. 

Há  todo um mar de gente que admirava. Hoje, nada mais são que peças de um jogo muito aborrecido. 

Há toda uma vida a desbravar e fico-me, entediado, a fumar os meus cigarros, por vezes, "aromatizados".

Nada vale mais que o efémero fumo do cigarro. 

Nada vale mais que um último suspiro. 

Eu, por mim

Junho 20, 2016

Bruno

Poucas pessoas entenderão as emoções que locais como bombas de gasolina, arcadas de prédio, esquinas refundidas, provocam em mim. 

Poucos ou nenhuns entenderão as voltas de carro sem destino. Idas ao Cabo da Roca. Sintra. Lisboa, Domingos à noite. 

Poucos entenderão a selvajaria e a liberdade da mesma. 

Poucos saberão sentir momentos de silêncio. 

Poucos compreenderão a verdade de uma alma destruída. 

Poucos saberão o que é amar e odiar com a mesma intensidade. Tão intenso, que o fogo cá dentro, consome também por fora. 

Poucos sentirão essa verdade. 

Poucos adivinharão o que queima dentro de mim. 

 

Interesso-me, então, entendo sem entender, eu por mim, que é quanto baste. 

Que se fodam todos os outros.

Talvez não tenha nada a dizer

Junho 17, 2016

Bruno

Posso não ter muito a dizer. Mas, o pouco que seja, é qualquer coisa. 

Há dias em que sinto que tudo é bom. Há dias em que o mundo parece uma merda. 

Há dias em que todos parecem belos e brilhantes. Há dias em que todos parecem uma ameaça enorme à minha disposição. 

 

Existem pessoas que parecem determinadas a tirar-me do sério (julgando o final da noite de ontem). Assim como existem aquelas de quem se gosta seriamente, de quem não se diz um "ai", sem que estejamos prontos a defendê-las, mas que, um dia, começam a abusar da paciência de cada um, a exagerar na indiferença com que tratam os demais. Esquecem-se que, aquilo que defendemos, nem nos pertence, mas que é de seu próprio interesse defender. 

Talvez eu exagere, com a minha paciência exageradamente curta. 

 

Talvez eu não tenha muito a dizer. Ou, o que tenha, deva ser escrito, enquanto pavimento o meu caminho de saída, calma e tranquilamente. 

 

O fim da tarde decorre tranquilamente. 

Amanhã à noite não vou trabalhar e já avisei um certo grupo de clientes com quem me dou melhor. Quem sabe?, talvez apareçam pelas festas. Talvez não. 

 

Aguardo, com expectativa, a noite de amanhã. Espero que, como acontece, os meus planos não saiam gorados. 

Outras existências - sinto-me parte delas

Junho 17, 2016

Bruno

Corro o risco. Corro sempre o risco. E piso a linha dodo perigo... Sempre. Sempre. 

Eles vivem. 

Mais vivos. Mais jovens. Com uma adrenalina diferente da minha. Sempre tentadora. Há sempre algo a desejar. Há sempre algo a querer. Há sempre coisas novas a ver, a sentir, a saborear. 

Eles vivem. 

Como se fosse possível reviver, através da sua presença, esses dias que deixei para trás. Sabem lá o que penso. Sabem lá o que imagino. Sabem lá quão longe vejo as coisas e pressinto os pensamentos, os devaneios e os desejos. 

Como se nada mais existisse para lá desses momentos. 

Como se eu não fosse uma estranha criatura, que trabalha atrás do balcão de um café, todo mocado e como se fosse un do vós. Sinto que, por muito excêntrico ou exótico que, por vezes, pareça, não deixo de ser tratado como um igual. 

Como se nada mais existisse para lá do presente. 

Como se esta nossa existência não fosse mais que isto mesmo: existência. 

A vida é outra coisa mais. É isto. É isto e tudo o mais. É todo o sorriso e todo o riso, por muito arruinado (como o meu) que seja. 

No silêncio da noite, tento adivinhar meio mundo e meio universo, até me aperceber que o que me resta, por hoje, é dormir. 

Atina

Junho 17, 2016

Bruno

Talvez ninguém entenda a minha essência. Talvez, ninguém entenda a tua. 

Começaste como meu cliente no café e, muito rápido, tornaste-te um amigo. Vale a pena conhecer-te. Vale a pena dar-te a oportunidade. 

Diz esse meu amigo (ou "conhecido", como mencionou? ), que aprendeu comigo a não fazer exclusão de partes. Eu, que recusei-me, há anos, a escolher entre amigos de alguns e bons anos e novas amizades, pelo simples facto de não ter nada a ver comos problemas de cada um. O mesmo se passa contigo. O que possam pensar de ti, é com eles. O que eu penso de ti, é comigo. 

Não és o único que tem ganho essa vertente de alguém de bastante interesse em conhecer. Contudo, és alguém que, do teu jeitinho, confias-me o teu passado, o teu fucked up present, a tua sensação, as tuas dúvidas. Como eu gostava de ser um amigo melhor...

Espero que mantenhas a pessoa espectacular que és, mas que atines com o teu futuro e com a tua vida. 

Talvez leias isto. Talvez não. 

Mas vale que escreva para ti. Porque és merecedor das minhas palavras. 

Sobre a Arte, libertinagem, sexo e outras parafernálias

Junho 12, 2016

Bruno

 O Escritor Mascarado escreveu um bom texto, escrevendo sobre a possível (e notória) mudança no conceito de Arte.

Entre o que refere, do conceito de Arte, ainda consegue roçar o conceito de Vida actual. Escrevendo sobre a música, toca na libertinagem, no sexo como o factor de "montra" actualmente. E é engraçado como faz-me sentir que não sou o único a sentir-me como se vivesse numa espécie de Roma actual (o Império enorme, não a cidade), onde a libertinagem impera (da qual sou culpado), onde já não se é demasiadamente selectivo, seja em que aspecto da vida for. 

Contudo, sou selectivo com a minha Arte. Quando digo "minha", não falo do que escrevo. Digo a Arte que consumo.

 

Não sei quanto a qualquer outra pessoa, mas eu vivo a minha relação de amor-ódio com a sociedade e com a sua forma de estar. 

Não consigo ser capaz de aceitar tudo, mas não sou capaz de ser crítico face a cada um. Odeio a população geral, embora hajam bastantes pessoas de quem gosto bastante. E assim se reflecte também, através do meu relacionamento para com a Arte que é produzida, para com os meios que são utilizados para essa produção.

 

Nem todo o material a que somos expostos é lixo. E vice-versa. Até do lixo pode sair uma grande obra. 

Aqueles que se dignam a fazer trabalhos com alma, do mais profundo do seu ser, têm um não sei quê de mágico. Seja na presença, na postura, na voz, no trabalho e no que empenha. E é esse não sei quê que faz com que falte o ar, com que nos transportêmos para além, sem destino, rumo ou distância. 

 

Mas como já dizia Camões : "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"

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