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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

30
Ago16

...

Bruno

Estive uns bons dias fora. Fui para o Norte, algures lá naquela aldeia da minha infância, onde muitas vidas se extinguiram entretanto. Naquele silêncio que lá reina, na ausência de vida, onde os grilos cantam pela noite e as estrelas rasgam o céu em cadência. 

 

Vivia ali, desde sempre e para sempre. 

 

Uns dias depois, eespecialmente sem vir aqui, dou comigo no acostumado canto das leituras, onde costumo ler os blogs que sigo. Decido escrever, sem ler. Não me apetece ler as palavras dos outros, quando mal consegui escrever este mês. Escrevi umas quantas cartas, muito a custo. Não me apetece ler os lamentos dos outros - tenho os meus para chorar, a decadência de regressar a uma cidade, depois de dias numa aldeia, longe de tudo e... Bem, basicamente de todos. Não quero ler sobre os pontos de vista dos demais, quando nem os meus, que são extremamente confusos, quero lembrar. 

 

Estou a sentir que tenho que largar estas palavras, como se largam bombas, e desvanecer-me na noite da Internet. Talvez caminhe pela casa em silêncio, para a minha cama. Talvez durma. Talvez não. 

 

Sinto que, neste momento, há um conflito pacífico na minha alma. E não me importo de ser egoísta. 

 

Já tenho dito que larguei muitas coisas, por isto ou por aquilo. Tal como ter-me afastado do amor, por dar prioridade à poesia - mentira! A poesia engloba tudo na vida, mesmo aquilo de que nos afastamos, como uma criança que se afasta dum jogo em que perde sempre, porque se aborrece ou porque acredita que é melhor desistir e procurar outra coisa, outro jogo, outra fantasia... Até se aborrecer, novamente. 

Neste momento, estou a aceitar qualquer coisa estranha. Algo estranho, para mim, onde já os escrúpulos ficaram à porta, perdidos no bosque. 

 

Neste momento, tudo é demasiado. E é demasiada a confusão que proponho a quem queira ler, a quem não se sinta como eu: precisando cagar palavras, para se concentrar! 

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