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O fumo do meu cigarro

O fumo do meu cigarro

16
Jul17

...

Bruno

 Acho que fui despedido. E isso não me incomoda minimamente. Se for o caso, incomoda-me a maneira como está a ser feito.

Estou de folga. Acabo de chegar de Sintra e estou com uma grande moca. Não sei o que diga ou o que pense de tudo o que tem acontecido. Mas não me sinto mal. Fiz o máximo que pude, dei tudo, até me fartar. 

 

Devia estar a dormir. Estou a ouvir música. A fumar. 

Amanhã, é dia de descanso. Dia de aproveitar a minha mãe e a minha tia. 

Amanhã (mais logo) é um outro dia - certas convicções manter-se-ão iguais. E não perco nada por viver.

09
Jul17

...

Bruno

Às vezes, sinto-me como se tivesse uma personalidade fragmentada. Sinto, por isso, essa necessidade de criar e destruir, criar depois de destruído, para destruir novamente. Mas alguma coisa se mantém linear. 

Posso até estar silencioso, mas estou vivo. 

Estou para descobrir como corre o resto do meu mês. As coisas são faladas, discutidas e colocadas em pratos limpos. Mais claro, não podia ser. Tal como ia decidido ontem a deixar o meu trabalho, se as coisas não corressem bem, estou decidido a sair em qualquer altura, se as coisas não melhorarem. 

Às vezes, sinto-me desconcertado. Sinto-me descoordenado. Mas depois pego o ritmo e fica tudo bem. Às vezes, não sei se gosto assim tanto de ser eu. E, também às vezes, sinto-me em paz comigo mesmo.

08
Jul17

...

Bruno

Acredita que não sabes no que estás a meter-te. Acredita que não sabes com quem mexes. Pensas que és dono e senhor da zona. E se a zona é a minha, se tenho a gente do meu lado. Do mais jovem ao mais velho.

Podes não ter muito a perder. Eu não tenho nada.

Em breve, espero sair dali. Deixar de trabalhar nesse mesmo sitio, onde passei os últimos três anos. Porque três meses com uma gerência nova foram o suficiente para me esgotar. Porque há coisas que não se admitem, entre elas o levantar de acusações gravíssimas, entre elas o admitir que me repreendam por coisas que fazem dez vezes pior, sejam ou não patrões. 

 

Quem diria, que eu buscaría este propósito, de escrever neste canto para não explodir? Uma outra vez, para não ter a tentação de partilhar a minha insatisfação por escrito no meu Facebook.

 

E que mais? Eu não ia escrever apenas porque estou farto do café em que trabalho... quer dizer, não é do café, nem dos clientes, com alguns dos quais saio e mantenho-me na rua, com os quais criei boas amizades. Mas das gentes para quem trabalho, que estão a consumir a minha energia, a minha paciência e a minha boa vontade.

Contudo, não consigo desenvolver este pensamento para lá disto, do trabalho, daquelas pessoas de merda... nem em horas de descanso (devia estar a dormir, acordo daqui a três horas) eu desligo daquilo. 

Sinceramente, desde o princípio que me preparei para arranjar outro trabalho e vir embora. E, mais do que nunca, preciso de ver disso e passar à frente, a um outro sítio, a outras pessoas, a um outro lugar. Não receio o trabalho e sei o que faço. Sei que faço as coisas bem. E isso é um ponto a meu favor.

 

Queria escrever sobre a noite de névoa e de frio. Sobre as fumaças na rua, com os rapazes e com as raparigas. Queria escrever sobre tantas coisas. As coisas que fazem bem, que me sabem bem. Mas estou sufocado com tanta merda, que quase não faz sentido e que não sai nada de jeito. Acho que vale a pena testar e tentar as teorias dessa jovem rapariga, de desenhar outra vez e esquecer as minhas reservas totais.

 

Tenho que esquecer. E virar costas às coisas e às gentes que me fazem mal. No fim de contas, safo muito mais esses gajos, do que eles me safam a mim.

29
Jun17

...

Bruno

Passo a passo, vamos caminhando para fora da vida.

Passo a passo, um cigarro queima atrás do outro.

Vivemos na esperança de um novo dia. Vivemos, levando a vida pela limite. Vivemos, saindo de nós, um dia após o outro, com gosto de café, com gosto de nada.

Não sabemos bem onde vamos. Só sabemos que vamos. Quando chegarmos, saberemos... ou morreremos, sem nunca termos percebido nada.

 

Percebo que, pelo caminho, já olhei muitos Deuses e muitos Demónios nos olhos. Já baixei a cabeça à merda que anda na rua, enquanto olhei Deus nos olhos. Enquanto dançava com a morte, saboreava a vida

28
Jun17

...

Bruno

Soubessem o que me passa pela cabeça. Soubessem o que imagino, o que entendo, o que absorvo. 

As coisas são muito mais do que aparentam. E nesta escola onde estudam, já eu ensinei. 

26
Jun17

Lenta e suavemente, saem palavras de mim

Bruno

De que me vale perseguir essas palavras mortas ou as palavras que, no meu intimo, sei que seriam mais causadoras de dano, que de benefício? 

Escrevo hoje, agora, as palavras que vão fluindo ao de leve da minha alma. Talvez devesse aproveitar e responder às cartas que aguardam uma resposta. Talvez devesse começar a trabalhar nos meus pseudo-versos, para o projecto do fanzine da Thina. Talvez devesse queixar-me aqui, de tudo o que me tenho queixado nos últimos tempos, especialmente do trabalho, das pessoas para quem e com quem trabalho actualmente. Afinal, este blog, quando foi criado pela primeira vez, foi com este intuito, o de escrever longe do conhecimento dos que me são próximos, sobre estas e outras coisas que fazem a minha alma sangrar de dor, vibrar de emoção ou ferver de raiva. Sabendo eles que escrevo naqueles blogs, conhecendo esses meus cantos, já de si íntimos, não quereria que soubessem do que aqui ia e vai.

De que me valeria perseguir palavras mortas à nascença? Tentar ressuscitar os nado-mortos das minhas entranhas, do meu âmago seria inútil. Mais me valeu assim... deixar sair... lenta e suavemente...

25
Jun17

...

Bruno

Tenho que parar de confiar. Tenho que deixar de falar e voltar-se, talvez, para a escrita. Uma vez mais, revela-se mais digna de confiança. 

Não está a ser um bom dia. Não está a ser uma boa folga. Não estou bem a nível emocional e sinto-me cansado. 

10
Jun17

Com mudanças e com esquecimento

Bruno

Esquece as lyrics. Sente o beat. Sente o som. Ou sente a mensagem. Sabe-se lá aquilo que cada um recebe do que ouve, do que vê, do que lê. 

Vinha a descer a avenida, pensava no que poderia escrever. Pensei sobre mim. Sobre as coisas que estou a meter na cabeça, sobre as coisas em que me agarro, aquilo que tento usar para motivar-me.

Muita coisa aconteceu nestes últimos tempos. E todos nos agarrámos mais uns aos outros ou nos afastámos. Todos nos prendemos mais a certas coisas, a certos vícios, a certos devaneios, porque ajuda a deslizar pelas coisas, ajuda a deslizar pela vida, pelas dores que ela nos traz.

Tenho notado muitas mudanças. Nessas mudanças, noto-as muito mais em mim, naquilo que quero, naquilo que não quero, naquilo que aceito e não aceito. E tem sabido bem mudar, deslizar por entre as sombras da noite, surgir por entre uma nuvem de fumo, numa qualquer esquina dessa cidade, onde não existe sobriedade, nem enquanto é hora de trabalho.

 

Perco-me num instante. E já não sei que mais aí vinha. Mas não me importa. Haverá sempre mais o que escrever, haverão sempre coisas para libertar do peito.